Bothrops lanceolatus

por Timothy F. AllenEnciclopédia da Matéria Médica Pura

Referência histórica para profissionais e estudantes. As afirmações abaixo refletem os ensinamentos homeopáticos do autor indicado e não comprovam a eficácia do tratamento. Este texto não constitui aconselhamento médico e não deve substituir um diagnóstico ou cuidados adequados.

B. lanceolatus, Wagler-Dumeril; sinónimos , Coluber glaucus, Linn. Vipera cærulescens, Laurent; Coluber megara, Shaw; Cophias lanceolatus, Merrem; Craspedocephalus lanceolatus, Gray (Trigonocephale jaune, Cuvier; Vipera jaune; ).

Um ofídio da família Crotalidæ, encontrado na ilha da Martinica.

Autoridade.

Dr. Ch. Ozanam, L'Art. Méd., 19, 116 (Coleção de casos (15) e observações gerais sobre o efeito da mordedura, citadas de Dr. Rufz, "Enquête sur le serpent de la Martinique.")

MENTE

  • Hipocondria consecutiva e prolongada.

  • Ideias confusas.

  • Coma, tornando-se cada vez mais profundo até sobrevir a morte.

CABEÇA

  • Vertigem.

  • Tonturas frequentes.

  • Hemicrania.

OLHO

  • Amaurose (por vezes logo após a mordedura).

  • Amaurose persistente.

  • Amaurose, sem dilatação perceptível da pupila.

  • Amaurose hemeralópica; mal consegue orientar-se, especialmente após o nascer do sol. [10.]

  • Pupila um pouco dilatada.

ROSTO

  • Fisionomia alterada.

  • Fisionomia hipocrática.

  • Injeção, mais ou menos escura e azulada, de toda a superfície cutânea do rosto; tonalidade semelhante à do cólera no estádio álgido, ou à do último estádio da febre amarela.

BOCA

  • Trismo (após dezoito dias).

  • Incapacidade de articular, sem qualquer afecção da língua (após sete a quinze horas).

ESTÔMAGO

  • Mucosa gástrica pontilhada de vermelho.

  • Sede.

  • Náusea e vómitos.

  • Vómitos. [20.]

  • Vómitos, seguidos de tremor nervoso.

  • Sensação dolorosa que se estende à região epigástrica.

  • Mal-estar epigástrico intolerável.

ABDÓMEN

  • Intestinos delgados com vermelhidão lívida externamente.

  • Intestinos delgados pontilhados de vermelho.

  • Mucosa dos intestinos delgados, especialmente do jejuno, inflamada em diferentes pontos.

  • Intestinos delgados de cor azul-escura, confinada inteiramente à camada muscular.

  • Dores acentuadas no abdómen, que se estendem à região epigástrica e se tornam intoleráveis (após algumas horas).

  • Todo o abdómen é sensível à pressão.

EVACUAÇÕES E URINA

  • Diarreia coliquativa. [30.]

  • Hematúria.

APARELHO RESPIRATÓRIO E TÓRAX

  • Traqueia e brônquios azuis.

  • Todos os sintomas de congestão pulmonar, respiração oprimida e expectoração com sangue, mais ou menos profusa (após três a seis dias).

  • Dores precordiais.

CORAÇÃO E PULSO

  • Coração mole e flácido.

  • Manchas pretas no pericárdio e sob o endocárdio.

  • Pulso e respiração tornam-se lentos.

  • Pulso frequente e comprimido.

EXTREMIDADES EM GERAL

  • Inchaço rápido do membro mordido.

  • O inchaço, a princípio pálido e limitado às partes em torno da mordedura, torna-se lívido e envolve todo o membro, tanto abaixo como acima da mordedura. [40.]

  • O inchaço da parte mordida estende-se pouco a pouco a grande distância do seu local de origem; o membro torna-se três vezes maior do que o seu tamanho habitual e fica mole e flácido, como se estivesse distendido por gás.

  • Enorme infiltração com sangue, como a que resulta de uma contusão violenta (do membro mordido).

  • As extremidades tornam-se frias.

  • Incapacidade quase total de mover o braço direito ou a perna direita.

  • Paralisia de um braço, ou apenas de uma perna.

  • Dor acentuada no membro mordido.

MEMBROS SUPERIORES

  • Braço inchado da mão ao ombro.

  • Tumefação muito acentuada de todo o membro, desde os dedos até ao ombro e à porção adjacente do tórax, mole, como no enfisema, muito sensível, com manchas azuis.

  • Após mordedura no dedo mínimo de uma mão, a paralisia iniciou-se nas pontas dos dedos da outra mão e estendeu-se a todo esse lado.

  • Tecido celular, e também os músculos do antebraço (onde a mordedura foi infligida), ingurgitados de sangue negro. [50.]

  • Os ossos do antebraço e da mão ficam a descoberto.

  • Necrose consecutiva.

  • Entorpecimento no braço direito (após mordedura na mão direita).

  • Anquilose e deformidade da mão, que ficou unida numa massa óssea imóvel, com o punho e os dedos aglutinados.

MEMBROS INFERIORES

  • Membros inferiores infiltrados com soro sanguinolento.

  • Supuração muito extensa da perna.

  • Destruição da pele de toda a perna.

  • Coxa esquerda enormemente inchada e de cor azulada, com manchas aqui e ali de tonalidade mais escura, 6.

  • Amolecimento do tecido celular no cavo poplíteo e na porção posterior da coxa, abrangendo metade do membro.

  • Gangrena da pele em toda a porção frontal da perna direita, do pé ao joelho. [60.]

  • Gangrena dos músculos da perna.

  • Extremidade inferior da tíbia a descoberto (após quinze dias).

  • Articulação tíbio-társica aberta.

  • Paralisia da perna.

  • Úlcera gangrenosa no dedo grande do pé.

  • Dor intolerável no dedo grande do pé direito (tendo o doente sido mordido no polegar esquerdo).

GENERALIDADES

  • Inchaços edematosos, como elefantíase.

  • Infiltração de soro sanguinolento, igualmente difundida por toda a substância do tecido celular, mas mais nítida nas proximidades das mordeduras.

  • Supuração muito extensa.

  • Supuração e infiltração serossanguinolenta de todos os tecidos. [70.]

  • Em dois ou três dias, instala-se a supuração, a pele desprende-se e, se não forem feitas as incisões adequadas, a parte gangrena; porções de tecido celular destacam-se, com secreção saniosa avermelhada; os tendões e os ossos ficam a descoberto; as articulações ficam expostas; o esfácelo invade as partes, especialmente os dedos; todo o membro é dissecado em vida; segue-se a coliquação e, se o doente não sucumbir às consequências da absorção purulenta ou da gangrena, a amputação torna-se necessária.

  • Notável fluidez, estado dissolvido, do sangue.

  • O sangue é preto, ou com aspecto ferruginoso; muito fluido.

  • Hemorragias de vários tipos, e especialmente das feridas.

  • Sangue negro, muito fluido, corre em jatos ao menor movimento.

  • Hemorragia capilar após amputação; o sangue escoa continuamente, não em jatos; muito fluido e muito pálido.

  • Músculos a descoberto.

  • O tecido muscular enegrecido é dissecado pedaço por pedaço.

  • Cárie dos ossos.

  • Emaciação. [80.]

  • Tétano (após amputação).

  • Tremor nervoso.

  • Opistótono (após catorze dias).

  • Convulsões e morte (após dois dias).

  • Paralisia (geralmente incurável).

  • Hemiplegia do lado direito (após cinco e sete horas).

  • Lassidão inexprimível.

  • Fraqueza.

  • Desmaios repetidos.

  • Síncope frequente. [90.]

  • Mal-estar indefinível; desassossego geral.

  • Dores intoleráveis no inchaço.

PELE

  • Pele azulada (da perna).

  • Pele amarela, como na febre amarela.

  • Pele como se acometida por uma contusão extremamente extensa e grave.

  • Infiltração subcutânea e intermuscular com sangue.

  • Infiltração serosa enegrecida no tecido intermuscular.

  • Formam-se muitas flictenas sob a epiderme (do membro mordido).

  • Flictenas no cavo poplíteo.

  • Úlceras persistentes. [100.]

  • Abscesso, de maior ou menor volume.

  • Orifícios fistulosos.

  • As feridas cicatrizam com dificuldade.

SONO E SONHOS

  • Sonolência.

  • Sono, ou coma, muito marcante, que pode terminar em morte.

FEBRE

  • Sensação de frio.

  • Ligeiros calafrios, seguidos de transpiração fria muito profusa.

  • Por vezes, calor externo muito intenso.

  • Calor generalizado.

  • Febre alta. [110.]

  • Corpo coberto por transpiração fria e viscosa.

  • Transpirações frias profusas no início e no término da doença.

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