Aconitinum
por John Henry Clarke — Dicionário de Matéria Médica Prática
Aconitina. Aconitia. C 33 H 45 NO 12 . Um alcaloide obtido das raízes e caules de Aconitum napellus. Está contido em todas as espécies de acônito, exceto A. lycoctonum.
[A aconitina alemã é amorfa; a aconitina francesa é cristalina e 170 vezes mais forte que a alemã. A "Aconitina Inglesa" de Morson é uma preparação secreta que se acredita ser feita de A. Ferox. O alcaloide de A. Ferox difere quimicamente em certa medida da aconitina comum e é chamado pseudo-aconitina. A aconitina de T. H. Smith, de Edimburgo, é provavelmente idêntica à de Morson. Os sintomas de Morson são assinalados com (M) no Esquema.]
Clínica
Cegueira / Calafrio / Convulsões / Surdez / Dispneia / Ruídos nos ouvidos / Hemicrania / Hidrofobia / Paralisia de Landry / Aumento do fígado / Neuralgia / Espasmos do esófago / Espasmos / Aumento do baço / Tétano / Afecções da língua / Trismo / Vómitos
Características
O nosso conhecimento deste alcaloide deriva principalmente de casos de envenenamento e de sobredosagem. O entorpecimento, o formigueiro, as picadas e o calor das patogenesias de Acônito são produzidos pelo alcaloide, porém com intensidade aumentada. Na aplicação local, primeiro há sensação de calor; depois, ardor com dores lancinantes e prurido; por fim, entorpecimento e anestesia. Os sintomas muitas vezes sobem de baixo para cima: "Uma sensação de formigueiro e picadas, subindo pela perna até à coluna e à cabeça, e formigueiro dos dedos." "Uma sensação glacial sobe-lhe rastejando desde os pés." Medo da morte, ansiedade angustiosa, intensa sensação de frio; sensação de enjoo; sensação constritiva e de ardor, estendendo-se da boca ao estômago. Abalos e espasmos por todo o corpo, especialmente na face. Todos os sintomas ficam > pelo vómito. Num caso de envenenamento, "o vómito recorria a cada dois ou três minutos e era produzido por uma ação súbita, em sacudidas, dos músculos abdominais, acompanhada por um grito forte, provavelmente dependente de uma contração súbita do diafragma. Toda tentativa de engolir era seguida pelas contrações espasmódicas tão características da hidrofobia, mas elas não eram renovadas à vista da água. O menor toque renovava os espasmos." Aconitina deve ser útil em casos de hidrofobia, quer do tipo convulsivo, quer do paralítico. Os sentidos ficam perturbados ou abolidos: visão, audição, olfato. Num caso de envenenamento, a cegueira coincidiu com dilatação súbita das pupilas, e a visão voltou parcialmente à medida que as pupilas se contraíam. Sensação de peso, como de chumbo, em todo o corpo. Todas as partes, exceto a cabeça e o estômago, parecem cheias de chumbo. Neuralgia do 5.º nervo. Sensação de rastejamento na face com sensação de inchaço e tensão. As dores no nervo supraorbitário eram especialmente proeminentes. Os exames post-mortem mostram o baço enormemente aumentado; a parte posterior do fígado, escura e quase negra. Rins hiperémicos.
Os sintomas de Aconitina instalam-se com grande rapidez e desenvolvem-se com extrema intensidade. Se ocorre recuperação, ela é rápida e completa. Há relaxamento dos membros, e qualquer esforço < os sintomas. < pelo esforço mental; pela agitação. < pelo toque. Posição ereta = náusea (M)
Relações
Ver Acon. n. Sintomas de hidrofobia, Bell., Canth., Hyo., Lach., Fagus.
1. Mente
Ansiedade angustiosa; medo da morte. Intelecto intacto, até vívido. Curso das ideias lento; reflexão prolongada impossível; poder de atenção comprometido. Sente-se como se estivesse a dormir e a sonhar. Esquecimento e tremor dos membros.
2. Cabeça
Tontura e confusão, com tinido nos ouvidos; cai quase imediatamente. Com vertigem, obscurecimento da visão e debilidade muscular (M). Plenitude na cabeça, com ruídos nos ouvidos. Cefaleia e dor facial; frequentemente dores lancinantes na face, por vezes acompanhadas de vómitos. (Hemicrania curada). Peso na cabeça; incapaz de a manter erguida.
3. Olhos
Sensação de tensão nos olhos. Pupilas dilatadas (tanto pelo uso interno como pelo externo). Cegueira completa; com dilatação concomitante das pupilas, a visão voltava quando as pupilas se contraíam. Visão enevoada, com tontura e náusea (M). Pupilas insensíveis à luz.
4. Ouvidos
Sensação de pressão nos ouvidos. Rugido nos ouvidos. Surdez completa.
6. Face
Plenitude nas bochechas e têmporas, mudando gradualmente para dolorosa sensação de tensão, formicação e picadas. Face tensa e inchada. Sensações de rastejamento na face e nos antebraços. Sensação peculiar de repuxamento, distensão e pressão nas bochechas, nas maxilas superiores, na testa, em suma, por todo o trajeto do trigêmeo, aumentando pouco a pouco de intensidade, alternando com dor franca que, a princípio ocasional e fugaz, acabou por se tornar constante e grave. Dor na têmpora e ao longo do trajeto do nervo supraorbitário. Dores lancinantes na face acompanhadas de vómitos. Começando nos dedos, depois na face, contrações tónicas, trismo; depois de algum tempo, convulsões clónicas por todo o corpo. Olhos fechados, lábios secos e fendidos, língua rígida; sentia-se friorento e como se estivesse a morrer; a respiração tornou-se estertorosa, gemebunda, rápida. Facies hippocratica.
8. Boca
Ardor na ponta da língua e nos lábios. Sensação ardente, constritiva, acre e seca na boca e nas fauces. Língua rígida. Sabor desagradável, de amargor repugnante. Paladar completamente abolido. Paladar comprometido; dentes mais sensíveis ao morder. Salivação.
9. Garganta
Ardor angustiante na garganta. Constrição e ardor da boca ao estômago. Toda tentativa de engolir é seguida de espasmos como na hidrofobia, mas não renovados à vista da água. Dificuldade para engolir e dor na nuca e atrás dos maxilares, na região parotídea, de modo que, ao comer, tinha de pressionar a nuca com a mão (M). Ardor no esófago, como se ali houvesse um carvão em brasa (M).
11. Estômago
Eructações imediatas. Vómitos intensos, recorrentes a cada dois ou três minutos, produzidos por uma ação súbita, em sacudidas, dos músculos abdominais acompanhada de um grito forte. Náusea provocada pela posição ereta (M). O vómito alivia todos os sintomas. O calor é mais acentuado na região do estômago.
12. Abdómen
Rumor intestinal (imediatamente num caso, duas horas após a dose noutro). Contração súbita do diafragma. Fígado e baço intensamente aumentados de volume.
14. Órgãos Urinários
Diurese abundante. Dificuldade em urinar (M). Disúria e, por vezes, retenção urinária com dor hipogástrica (M).
15. Órgãos Sexuais Masculinos
Poluções noturnas (invulgares no provador).
17. Órgãos Respiratórios
Respiração difícil. Ansiedade opressiva na região precordial. Respiração suspirosa.
19. Coração
Pulso, a princípio, ao entrar num aposento aquecido, mais frequente; depois desce muito abaixo do normal, pequeno, fraco, intermitente. Ruídos cardíacos só audíveis no ápice.
21. Membros
Debilidade, tremor, ardor, sensação de rastejamento, formigueiro, entorpecimento dos membros.
24. Generalidades
Mal-estar; debilidade; prostração muscular. Abalos e convulsões por todo o corpo. Sensação de peso, como de chumbo, em todo o corpo.
25. Pele
Formicação geral.
26. Sono
Sonolência. Sono perturbado. Atira-se continuamente de um lado para o outro na cama.
27. Febre
Superfície fria, suada e muito pálida. Frialdade intensa. A cabeça e a face tornaram-se subitamente quentes; o calor estendeu-se ao restante do corpo, foi mais intenso na região do estômago e foi acompanhado de suor.