Eserinum
por John Henry Clarke — Dicionário de Matéria Médica Prática
Eserina. Fisostigmina. O alcaloide de Physostigma venenosum, fava de Calabar. C 15 H 21 N 3 O 2 . Trituração ou solução.
Clínica
Blefaroespasmo / Espasmo ciliar / Glaucoma / Dor de cabeça / Pupila contraída / Salivação / Suor excessivo
Características
Eserina é mais conhecida pelo uso, pelos oculistas, para provocar contração das pupilas no glaucoma. Foi utilizada por Fenoch, de Berlim (H. R., iv. 127), num caso de coreia em uma criança de nove anos. Meio miligrama de Eser. sulph. foi injetado na parte superior do braço direito, e a seguinte patogenesia foi o resultado: Em quinze minutos a criança gritou alto, vomitou profusamente e queixou-se de violenta dor de cabeça. Logo o rosto e a parte superior do corpo ficaram cobertos de suor profuso. Meia hora depois, a secreção salivar aumentou. Os batimentos cardíacos caíram para 64; artéria radial contraída; pulso pequeno e filiforme. Após êmeses repetidas, os sinais de debilidade cardíaca aumentaram apesar dos remédios, enquanto o suor e a secreção salivar diminuíram e, em meia hora, haviam desaparecido. Ocorreu moderada contração da pupila, reação lenta. A criança jazia apática no leito, pálida e colapsada. Foram administrados antídotos, e a criança estava bem na manhã seguinte. Uma observação de Mittendorf, de que "spasm of the accommodation is also produced artificially by Eserin." levou R. B. Leach (Med. Adv., xix. 262) a prescrever com sucesso a trituração 6x em casos de espasmo ciliar e de astigmatismo devido à ação irregular dos músculos ciliares. Eserin. também produziu blefaroespasmo. Uma solução de um grão por dracma (misturada por engano em vez de um grão por onça) foi instilada no olho de uma senhora de 60 anos sofrendo de catarata. Seguiram-se sudorese e lacrimejamento e, quando estes passaram, em um quarto de hora instalou-se "espasmo clônico das pálpebras", "caindo a pálpebra superior sobre a inferior a cada poucos segundos". Seguiu-se sensação espasmódica nos lábios e a mesma sensação sob o maxilar do lado esquerdo. Em uma hora, seguiu-se sensação de tremor e espasmo, sem movimento retiniano. As pupilas contraíram-se até um ponto diminuto.
Relações
Comparar: Physostigma, Pilocarpina.
1. Mente
A criança gritou alto. Apática.
2. Cabeça
Violenta dor de cabeça com vômitos repetidos.
3. Olhos
Contração moderada das pupilas; reação lenta; ao sombrear os olhos, elas não se dilatavam; à exposição à luz forte, contraíam-se levemente, mas retornavam ao seu tamanho normal. Espasmo da acomodação; espasmo ciliar. Dor e irritação nos olhos durante leitura continuada. Blefaroespasmo.
6. Face
Face pálida.
8. Boca
Saliva, primeiro aumentada, posteriormente suprimida.
11. Estômago
Vomitou profusamente e queixou-se de dor de cabeça. Vômitos repetidos com sinais de debilidade cardíaca.
19. Coração
Após vômitos repetidos, os sinais de debilidade cardíaca aumentaram. Os batimentos cardíacos caíram para 64; artéria radial contraída; pulso pequeno e filiforme.
24. Generalidades
A criança jazia apática no leito, pálida e colapsada.
27. Febre
Rosto e parte superior do corpo cobertos de suor profuso.