Staphisagria

por Richard Hughes & Jabez P. Dake — Enciclopédia de Patogenesia Medicamentosa

Referência histórica para profissionais e estudantes. As afirmações abaixo refletem os ensinamentos homeopáticos do autor indicado e não comprovam a eficácia do tratamento. Este texto não constitui aconselhamento médico e não deve substituir um diagnóstico ou cuidados adequados.

Volume IV — Texto principal

STAPHISAGRIA.

Delphinium Staphisagria, L. Estafiságria, esporinha-palmada. Ord. Nat., Ranunculaceae.

I. Experimentações. — 1. Hahnemann, Mat. Med. Pura, vol. i do original, vol. ii da tradução. Contém 283 sintomas observados em si próprio e 438 provenientes de outros 12 experimentadores.

Delfinina, alcaloide obtido da Staphisagria, Cj^Hj^NOj.

I, II. Experimentações e intoxicações. — 1. Schroff constatou, com 0,006 a 0,01 g, sabor intensamente amargo, com sensação de queimação na ponta da língua e no lábio inferior, secreção aumentada de saliva, eructações, náusea, sensação de pressão no estômago e diminuição da frequência do pulso. (Allen's Encyclopædia, iv, 70.)

  1. Turnbull, com 0,03 g, repetidos 8 vezes ao dia, apresentou diurese e sensação de queimação e picadas em várias partes do corpo, semelhante à produzida ao friccioná-la sobre a pele. (Ibid.)

  2. Falk e Roerig, com 1–3 dracmas de uma solução alcoólica, da qual 1 dracma = 0,01 g, constataram sensação de ardor e rastejamento na língua, que, entretanto, não parecia vermelha nem inchada, durando 11 h. (Ibid.)

  3. Albers, administrando 0,015 g 4 vezes ao dia, durante vários dias, num caso de torpor cerebral e irritabilidade espinal, produziu salivação; vermelhidão e inflamação do istmo das fauces, com sensação roente e ardente; náusea, ânsias de vômito, diminuição do apetite; desejo urgente de evacuar, sem alívio; desejo urgente de urinar, com sensação de queimação, mas sem diurese; prurido e picadas em toda a pele, de modo que o paciente não conseguia permanecer deitado na cama; pulso pequeno, mas normal nos demais aspectos. (Ibid.)

III. Experimentos em animais. — 1. O resultado geral dos experimentos em animais é que, depois de certos fenômenos locais iniciais, desenvolve-se gradualmente uma paralisia geral de todos os movimentos; a respiração torna-se laboriosa, os batimentos do coração ficam lentos e fracos e a sensibilidade é abolida. A P. M. revela sempre hiperemia venosa passiva em todas as cavidades do corpo; ocasionalmente, há também inflamação localizada nos intestinos. (Phillips, op. cit.)

  1. A ação principal da D. exerce-se sobre o coração. As pesquisas de Falk e Roerig, van Praag e Boehm mostram que ela produz paralisia cardíaca ao atuar sobre o músculo cardíaco, seus centros nervosos excitomotores e o aparelho inibidor, de modo que, após um aumento inicial transitório da frequência das pulsações, segue-se uma redução contínua do número de contrações cardíacas. A isso se seguem perturbações da respiração (dispneia), que também o acompanham. Ao mesmo tempo, como Cayrade assinala em particular, torna-se evidente uma paralisia da ação reflexa. Nesse processo, o veneno produz, muito provavelmente, paralisia da medula espinal; mas os músculos também são altamente sensíveis à ação da D. e são igualmente paralisados por ela, contribuindo assim para a diminuição da atividade reflexa. A paralisia reflexa estende-se de trás para a frente, e a paralisia da medula espinal precede a dos músculos voluntários (Cayrade). A frequência diminuída da respiração depende principalmente da paralisia do centro respiratório; contudo, a paralisia muscular geral, da qual participam os músculos respiratórios, contribui de modo essencial para a dificuldade respiratória e para sua cessação final. (v. Boeck, em Ziemssen's Cyclopædia, vol. xvii.)

  2. A delfinina assemelha-se à aconitina em muitos aspectos e, como esta, causa lentidão do pulso e da respiração, paralisia da medula espinal e morte por asfixia. Estimula o centro vagal no bulbo e também o centro acelerador do coração, fazendo esse órgão bater ainda mais depressa depois de já ter sido acelerado pela secção dos nervos vagos. Aparentemente, torna a respiração mais lenta ao excitar fibras retardadoras nos vagos, pois, quando esses nervos são seccionados, ela acelera a respiração. Nos estágios avançados da intoxicação, paralisa as terminações do vago no coração e também o músculo cardíaco. Reverte a parada causada pela muscarina e pela digitalina (Boehm). Ao deprimir a atividade da medula espinal, suprime as convulsões causadas pela estricnina. (Lauder Brunton, op. cit.)

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