Vipera
por John Henry Clarke — Dicionário de Matéria Médica Prática
communis. Pelias berus. Víbora-comum [com outras variedades, especialmente V. redi (víbora italiana) e V. torva (víbora alemã)]. N. O. Ophidia (Família, Viperidæ). Atenuações do veneno.
Clínica
Epistaxe / Bócio / Hemorragias / Icterícia / Fígado, aumento de volume do / Neurastenia / Flebite / Senilidade prematura / Língua, inchaço da / Varizes
Características
Os efeitos das mordeduras da víbora-comum e de espécies afins foram coligidos e forneceram os dados para a prescrição homeopática. Vipera afeta o sangue e os vasos sanguíneos, conduzindo a hemorragia e inflamação dos próprios vasos. Um keynote de Vip. nos casos de flebite e varizes é " < ao deixar pender o membro afetado"; como se fosse rebentar de plenitude. A região do vaso afetado está inflamada e sensível. Allen (Handbook) relata este caso: Um batedor de ouro viu as veias do braço direito tornarem-se extremamente inchadas e dolorosas, de modo que já não podia trabalhar nem deixar a mão pender. Vip. curou imediatamente. Um caso (citado de Med. Adv. em Med. Cent., ii. 79) de veia varicosa do espaço poplíteo, com a sensação como se a perna fosse rebentar, e um estado nervoso, irrequieto, dos pés que os mantinha em movimento constante, foi curado com Vip. torva 30. A sensação de rebentamento parece estar na raiz desta característica. Swan disse que Vip. era um remédio para todas as formas de epistaxe. Vip. tem uma ação crónica e periódica; os sintomas retornam anualmente durante anos. Os pacientes suportam mal o frio. As partes podem ficar paralisadas, e seguem-se úlceras e gangrena. Num caso, ocorreu no membro mordido uma Sensação como se algo subisse pela coxa. Num caso houve transpiração por todo o corpo exceto no membro mordido. Leonard (M. A., xxvi. 103) deu Vipera acontica carinata (1) a uma senhora que sofria de hemorragia climatérica; fluxo vermelho com coágulos escuros; excessivo até à prostração e desfalecimento. Ela tinha um pequeno fibroma uterino. Algumas doses aliviaram, e a hemorragia excessiva não voltou. (2) Uma senhora que amamentava uma criança de um ano estava muito prostrada por hemorragia que durava havia várias semanas, não profusa, mas contínua: sangramento nasal quase todos os dias; o desmame não trouxe alívio. Chi. 200 não fez bem. Vip. ac. cm curou em três doses. Os sintomas são: < pelo toque; pela pressão; à mudança de tempo. < ao deixar pender o membro ou a parte.
Relações
Comparar: Hemorragia de sangue fluido, Sanguisuga. < Ao deixar pender os membros, Calc., Alm., Am. c., Sbi., Thu.
1. Mente
Delírio; e arroubos delirantes; com vómitos; alternando com sopor. Coma, com sede de água. Perda das faculdades mentais com traços contraídos.
2. Cabeça
Vertigem: com queda para diante, com sangramento nasal e angústia; com náusea e vómitos, de modo que desmaiou; com perda da visão. Equimoses nas membranas do cérebro, derrame de soro sanguinolento nos ventrículos. Dor dilacerante a cada mudança de tempo, com pontadas. Dor de cabeça: com língua saburrosa e pouco apetite; com inclinação a suspirar.
3. Olhos
Olhos: amarelo-escuros; vermelhos, inflamados e lacrimejantes; fixos; encovados. Pupilas: dilatadas; a e. dilatada, a d. contraída. Paralisia das pálpebras; caídas sobre os olhos. Visão: turva; turva no olho e., perdida no d.; perdida.
5. Nariz
Sangramento nasal; com vertigem.
6. Face
Face: inchada (e o pescoço), com protrusão dos olhos; tensa e enegrecida, com fechamento da garganta; convulsa; vermelha; pálida e hipocrática, com transpiração fria na testa; coberta de gotas de suor. Lábios: azuis; lábios e língua inchados, cobertos de saliva e pálidos; lívidos e salientes. Ardor ácido nos lábios, na boca e na garganta.
8. Boca
Linha escorbútica nas gengivas. Sensação de inchaço nos dentes (H. W., xxviii. 25). Inchaço das glândulas salivárias; da boca; da boca e da garganta, com secura, de modo que engolir era impossível. Língua: inchada; e castanho-enegrecida, saliente; de modo que não podia falar; com maxilares cerrados e fala difícil. Língua: negra; fuliginosa e hálito fétido; amarela, ponta vermelha; branca, trémula; branca no meio, húmida nas bordas, com sede. Fala: inarticulada; e pastosa; perdida por debilidade.
9. Garganta
Inchaço como bócio. Fechamento da garganta, de modo que ela só podia engolir água e leite; depois, dor mordente nas fauces, cujo inchaço se tornou enegrecido. Muco viscoso adere à faringe.
10. Apetite
Apetite perdido. Sede: com a língua húmida, por bebidas frias.
11. Estômago
Náusea: com estremecimento; com acesso de desfalecimento. Ânsias de vómito; com sensação de sufocação. Vómitos: após leite; de todos os alimentos e bebidas; com debilidade; desfalecimento; calafrios e sede; frieza do corpo; com cólica; com cólica e sede; diarreia biliar de líquido amarelo e amargo; substâncias verdes; líquido verde; líquido viscoso esverdeado. Dor: na região epigástrica; < à pressão; na região epigástrica ou umbilical. Mal-estar na região epigástrica. Digestão lenta.
12. Abdómen
Hipocôndrios tensos; doloridos. Abdómen tenso, a pressão provoca distensão dos músculos faciais. Inchaço com dores furiosas e espasmos até ao desfalecimento e, depois de beber leite, vómito de uma massa de lombrigas; depois disso, desaparecimento dos transtornos verminosos de que antes sofria. Distensão flatulenta súbita, com cólica, dor nas costas e vómitos. Borborigmos. Dor no abdómen; na região umbilical, < à pressão.
13. Evacuações e Ânus
Diarreia: frequente; biliar. Fétida; e negra. Dejeções sanguinolentas; em massas de sangue escuro e ofensivo (aparentemente da língua, que havia sido escarificada). Evacuações: copiosas; numerosas, com calafrios, urgência e sede; involuntárias; e frequentes, misturadas com sangue e muco; e micção involuntária. Eliminação de sangue negro, coagulado; de sangue pouco antes da morte. Dor e tenesmo. Urgência para evacuar e urinar; desejo de evacuar, com frieza ao toque. (Depois de diarreia, esverdeada e sanguinolenta, dor violentíssima no fígado aumentado de volume, com icterícia e febre, dor irradiando do fígado para o ombro e descendo até à anca; Vipera removeu logo em seguida a dor e reduziu o fígado ao seu tamanho normal.)
14. Órgãos Urinários
Desejo infrutífero de urinar. Estrangúria. Micção involuntária. Urina: aumentada; suprimida; amarelo-escura, como na icterícia.
17. Órgãos Respiratórios
Sufocação. Dispneia; com pontadas no coração. Respiração angustiada, como no crupe, ameaçando asfixia. A respiração cessou de repente, o coração parou, a face tornou-se lívida etc.; praticou-se traqueotomia; o sangue retirado do braço fluiu escassamente, era escuro, mesclado de estrias vivas.
18. Tórax
Veias do tórax e do abdómen espessas e duras. Inchaço do tórax até ao umbigo após mordedura na face. Edema dos pulmões antes da morte. Dor: no lado e.; sobre quatro ou cinco costelas d. à pressão. Opressão, com angústia; com esforços violentos para respirar e engolir.
19. Coração e Pulso
Pontadas no coração; com transpiração fria e desfalecimento. Dor no coração com desfalecimento. Dor repuxante, de modo que rasga as roupas e desfalece. Angústia ao mesmo tempo durante quatro anos, com sensibilidade dolorosa do pé mordido e paralisia do braço d. Ação do coração: lenta; fraca; e sem pulsação nas artérias radial ou carótida, mas muito forte na crural. Pulso: rápido; interrompido; lento, febril; irregular; fraco. (Vip. é um remédio muito valioso para veias varicosas e para flebite aguda; a veia está inchada, rodeada por uma área de inflamação que é muito sensível ao toque, mas sobretudo com a sensação, ao deixar pender a perna, de que ela rebentaria pela plenitude das veias. Flebite do braço d., < ao deixar pender os braços.)
20. Costas
Pontadas nos rins. Dor nos lombos.
21. Membros
Membros inchados e vermelhos. Manchas lívidas no membro mordido todos os anos na época da mordedura. Manchas amareladas, lívidas, mosqueadas. Tremores. Dor nos membros: < ao toque; alternando com dores no abdómen. Membros: entorpecidos; relaxados. (Sensação de ardor nos membros em três casos: neurastenia, uma antiga entorse e varizes.)
22. Membros Superiores
Dor: nos ombros; no braço, irradiando para o tórax. Braço inchado; vermelho-lívido; vermelho, coberto de manchas; doloroso. Paralisia do braço d., recorrendo durante anos após uma mordedura no pé. Inchaço: da mão não mordida; da mão, sem deixar fóvea à pressão, com dor como se fosse rebentar, com dor ao toque; e rigidez. Mãos de coloração violácea, cobertas de flictênulas. Pele da mão necrosada e destacando-se em grandes placas, tecidos subjacentes lívidos. Pontadas nas pontas dos dedos após mordedura no braço.
23. Membros Inferiores
Marcha arrastada causada por paralisia. Movimentos convulsivos. Cãibras. Debilidade. Sensação como se algo subisse ao longo da coxa (após mordedura no tornozelo). Tensão nos joelhos e tornozelos. Joelhos rígidos. Perna inchada, fria e insensível. Paralisia do pé com marcha arrastada. Paralisia, depois úlceras.
24. Generalidades
As pessoas tornam-se prematuramente velhas; o desenvolvimento das crianças fica detido. Sangue alterado, com tendência a hemorragias, coagulabilidade perdida; sangue negro. Sintomas periódicos, retornam todos os anos. Edema persistente com tendência a úlceras. Desfalecimento. Cambaleio. Prostração. Colapso. A mordedura foi sentida por todo o corpo como um raio; ela caiu por terra. A parte mordida, sede de dor muito intensa. O inchaço era insensível.
25. Pele
Pele: pálida; amarelada; ictérica na face e no tronco, com manchas vermelhas nos membros; lívida; em manchas; manchas petequiais negras por todo o corpo, que estava frio ao toque. Erupção herpética, com coceira em torno da ferida. Erupção semelhante à roséola na face interna do braço e ao longo do lado do corpo. Úlceras. Bolhas em torno da mordedura, que rebentavam e deixavam ulceração; os músculos ficavam a descoberto, eram vermelho-escuros, secos, pareciam carne defumada, insensíveis ao toque; a chaga era fétida. Gangrena. Formicação nas plantas dos pés, depois também nas palmas das mãos.
26. Sono
Propensão a bocejar. Sonolência; e sensação de peso; com incapacidade de dormir e também necessidade quase constante de mudar de posição. Insónia; por dor. Noite inquieta.
27. Febre
Sensação de frio: com suor; com transpiração fria; com rigidez e suor viscoso; depois febre. Temperatura diminuída, suporta mal o frio. Calor: de manhã, com sede, inquietação e dores moderadas; para o anoitecer; à noite, com delírio; depois calafrios. Febre de tipo irregular; febre intermitente. Ardor: subindo pelo braço; elevando-se do calcanhar à língua; no tórax e no abdómen, com desejo de aplicações frias, embora a pele estivesse fria ao toque; dos dedos (por esfregar um bastão com o qual uma serpente tinha sido esmagada), com inchaço. Suor: após vómitos; após chá de camomila, suor abundante do abdómen até aos dedos dos pés, exceto sobre o membro mordido; frio; frio, viscoso. Pele seca.