Viscum Album.
By John Henry Clarke — Dicionário de Matéria Médica Prática
Visco. N. O. Loranthaceæ. Tintura das bagas maduras. Tintura das folhas machucadas. Tintura da planta inteira.
Clínica
Aura epiléptica / Coreia / Surdez / Disfagia / Endometrite / Epilepsia / Parto lento / Levitação / Lumbago / Menorragia / Metrorragia / Orquite / Otalgia / Otorreia / Ovarite / Placenta retida / Ciática / Baço, dor no / Escrofulose / Garganta inflamada / Tosse convulsa
Características
Num folheto sobre " Viscum Album ", o Dr. George Black, de Torquay, reuniu a maior parte dos fatos relativos a esta planta, inclusive quatro novas patogenesias, feitas por ele próprio e por três provadoras. Os sintomas dessas patogenesias eu marquei no Esquema. (B) Dr. Black, 43 anos, a partir de 3x e Ø; (B1) Srta. F., 20, a partir de 2x e Ø; (B2) Sra. X., 37, a partir de 3; (B3) Srta. S., 27, a partir de 3x, 2x, 1x e Ø. Proell fez uma patogenesia da tintura e desenvolveu sintomas semelhantes à aura epiléptica e ao petit mal, com a característica epiléptica adicional da recorrência; reapareceram com frequência durante dois anos. Belcher deu a uma moça de 17 anos, que sofria de coreia, doses de 5 gotas de uma tintura de folhas e bagas. No segundo dia foi chamado para vê-la e a encontrou sofrendo como se estivesse sob a influência de um opiáceo. Duas mulheres tomaram Visc. para provocar aborto. Todos os músculos, exceto os dos olhos, ficaram paralisados, assim como o trato intestinal. Não conseguiam engolir e, em consequência, morreram de inanição, ficando os intestinos obstinadamente constipados. Os músculos da fala também ficaram paralisados. Um menino de 14 anos comeu algumas bagas; logo depois começou a sentir tontura e então perdeu a consciência. Foi encontrado com a face congesta, lábios lívidos, conjuntiva injetada, pupilas ligeiramente dilatadas e fixas, pulso lento e cheio, saltitante; respiração lenta, estertorosa. Ao picarem as plantas dos pés, os pés eram rapidamente recolhidos. Afusões frias o despertaram, quando começou a falar incoerentemente, tinha ilusões espectrais e tendia à violência. Laville (Epilepsy and Mania in Men and the Lower Animals) isolou (1) Viscine, uma substância mole, azul-amarelada, de odor venenoso e sabor amargo; (2) Visco-resin, uma resina azulada, como pez, adocicada, de odor a princípio agradável, depois fétido. A viscina é mais abundante no visco da macieira; Visco-resin no do carvalho e da acácia, sendo esta última excitante do apetite sexual. O visco do espinheiro-alvar possui, como todos os demais, porém em grau mais elevado, as propriedades contráteis de Secale sobre o útero na inércia uterina. O do carvalho tem notável poder antiepiléptico nos cavalos. Um criador possuía um belíssimo plantel que se tornava epiléptico aos quatro ou cinco anos de idade. Curou-os com uma tintura das folhas frescas trituradas num almofariz. Segundo Laville, todos os viscos são úteis na epilepsia e na raiva (relato de Ozanam sobre a obra de Laville, B. J. H., xxv.). Black cita também, de B. J. H., xxii. 637, a experiência de William Huber com Visc. a.: (1) Caso de placenta retida com sintomas constitucionais após aborto no sexto mês. Expulsão rapidamente efetuada por Visc. a. 3. (2) Homem, 22 anos, robusto, de tez clara, resfriou-se ao viajar em vento gelado. Teve dor repuxante-lacerante no maxilar inferior esquerdo, durando algumas horas, seguida de zumbido intenso e sensação de obstrução, terminando em surdez completa desse ouvido. Visc. 3 curou. (3) Metrorragia após supressão por um pedilúvio frio. Visc. 3 curou. (4) Metrorragia após supressão por trabalhar na água. (5) Ciática do lado esquerdo. Visc. 3 curou. (6) Reumatismo por vadiar mal calçado através de grandes extensões de neve. Visc. 3 curou. (7) Hidrotórax (direito) por resfriamento, com dor lancinante no baço. Visc. 4 e 3 curaram. John Wilde (M. H. R., xii. 144) preparou uma tintura das folhas machucadas e deu doses de 5 gotas a um menino de 14 anos que tinha coreia afetando face e membros. Houve melhora em dois dias e, em poucas semanas, cura completa. Um menino de nove anos, escrofuloso, com tendência a afecções cutâneas, foi acometido de coreia após um susto. Estava completamente mudado na expressão, a fala inteiramente inarticulada, o aspecto idiotizado. Os movimentos continuavam à noite, e o menino estava esgotado por falta de sono. Visc. Æ, em doses de 1 a 2 gotas, não fez bem. A dose foi então aumentada para 15 gotas. A melhora instalou-se imediatamente, e obteve-se cura perfeita; as doses sendo depois diminuídas porque surgiram sensibilidade dolorosa da língua e vermelhidão da conjuntiva. Black removeu com Visc. 3 o seguinte: (1) Lumbago, por resfriamento, dor lacerante, quer algo contra que se comprimir. (2) Lumbago, direito, estendendo-se à nádega direita, < ao menor movimento. (3) Dor na região sacra, incapaz de virar-se para qualquer lado, < ao menor movimento; "dor de natureza terrivelmente constritiva, como se as vísceras estivessem afetadas." [Cooper obteve grande alívio com Visc. em "dores antigas de irritação espinal." Ele menciona também "sintomas espinhais devidos a causas uterinas" como indicação.] (4) Reumatismo; "o peso do meu corpo sobre a articulação torna-a muito dolorosa"; transpiração excessiva. (5) Ciática associada a otorreia. Dor em queimação do centro da nádega esquerda até a face interna do tornozelo; calcanhar como se se aplicasse carvão em brasa; a perna parece pesada como chumbo. Além disso, vários casos de surdez catarral com ruídos nos ouvidos foram curados ou grandemente melhorados. C. M. Boger (Med. Couns., xvi. 266) relata este caso: Vertigem persistente após crises epilépticas, durando um mês de cada vez. Visc. cm curou. Huber (H. R., ii. 74) usou 3x e 6x. Considerava-o aplicável a todos os tipos de reumatismo, agudo e crônico, especialmente quando caracterizado por dores lacerantes; em casos ocorrendo no inverno, resultado da exposição a ventos cortantes; e em casos de surdez reumática. Os sintomas são < pelo movimento; pelo menor movimento. O lumbago curado num caso era > pela pressão.
Relações
Antidotado por: Camph., Chi. Segue-se bem a: Aco. (reumatismo). Compare com: Epilepsia, Bell., Stram., Plumb. Efeitos de trabalhar na água, Calc. Resfriamento, susto, Aco. Ação uterina, Secale. Reumatismo, Aco., Bry., Puls., Rho., Rhus, Spi.
Causas
Resfriamento. Molhar-se. Susto. Supressão das menstruações.
1. Mente
Fala incoerente e ilusões espectrais; tendência à violência. Inconsciência. Estupor, seguido de quase completa inconsciência, jazendo imóvel, de olhos fechados, como em sono profundo, mas facilmente despertada por um ruído forte, e então respondia a qualquer pergunta; mas, ao recair no estado anterior, havia leve tendência a respiração estertorosa (2º d.). Sente como se fosse fazer algo terrível enquanto duram os tremores (B1). Continua a despertar à noite pensando nas coisas mais horríveis imagináveis (B1). Se acordada, parecia estar sonhando; se adormecida, estava sonhando (B3). Ficava mal-humorada quando havia dor no tórax (B3). Grande abatimento (B).
2. Cabeça
Tontura (2º d.). Dor de cabeça pulsátil intensa (B1). Dor aguda na cabeça e no rosto, deixando-os doloridos (B1). Sensação de entorpecimento na cabeça (B). Sensação constritiva no cérebro, uma ou duas vezes (B). Pontada lancinante no osso occipital esq. (B). Fisgadas dolorosas na região supraorbital esq. e na coxa dir. (B).
3. Olhos
Conjuntiva injetada. Pupila ligeiramente dilatada e fixa. Pupilas contraídas e, a princípio, insensíveis à luz (2º d.). Ilusões espectrais. Olhos sonolentos, difíceis de abrir, pálpebras pesadas (B3). Dor nevrálgica na parte inferior da órbita dir. (B).
4. Ouvidos
(Surdez no ouvido esq.). Audição comprometida no ouvido esq.; sons abafados (B). Embotamento da audição no mesmo ouvido; fisgadas agudas no ouvido dir.; mais tarde no esq. (B). Som como de vento nas árvores (B). Zumbido no ouvido dir., crepitação no esq. (B).
5. Nariz
Secura na parte posterior do nariz, estendendo-se à laringe (B).
6. Rosto
Face congesta. Lábios lívidos. Rosto afogueado (após palpitação, B1). Rosto quente e ruborizado (B).
8. Boca
Os dentes sangraram (B1). Os dentes batiam. A boca enche-se subitamente de saliva (B). Gosto desagradável ao despertar, língua recoberta até a ponta por saburra ocre-amarelada (B). Língua dolorida. Sentia-se esfomeada à hora do jantar (B1). Apetite voraz (B1).
11. Estômago
Enjoo antes do desjejum e do jantar (B1).
12. Abdómen
Todo o canal alimentar paralisado. Quando sai, às vezes sente como se alguém a puxasse para baixo pela cintura; e logo depois como se a parte superior do corpo flutuasse no ar (B1). Sensação de calor e dor constante na virilha esq.; seguida de enjoo e calafrios (B3). Dor no hipogástrio como se as menstruações estivessem para vir (B3). Fisgadas agudas na face interna do ligamento de Poupart dir., irradiando ao longo do cordão espermático (B).
13. Fezes e Ânus
Intestinos obstinadamente constipados. Evacuação copiosa e flatos muito ofensivos (cadavéricos) (B). Dores picantes, em pontada, no lado esquerdo do reto, perto do ânus, ao deitar-se logo depois da meia-noite; indo e vindo (B). Evacuação constipada após prurido do ânus (depois de suspender Visc. a. B). Dor aguda e dolorida no lado esquerdo do ânus por horas, < à noite (B).
14. Órgãos urinários
Urinação frequente; urina pálida, aumentada em quantidade (B1). Urina branco-leitosa após repouso (B3). Urina turva após repouso, com sedimento róseo (B).
15. Órgãos sexuais masculinos
Sonhos eróticos e emissões seminais (B). Fisgadas agudas de dor ao longo do cordão dir. até o testículo, que estava retraído junto ao anel inguinal. Durante o coito, palpitação do coração bastante acentuada (B). Dor no testículo dir. (B).
16. Órgãos sexuais femininos
Dores agudas na região ovariana, indo e vindo durante duas semanas, < de manhã na cama (B1). Dores lancinantes na região ovariana esq. e, ao mover-se, dor lombar e rigidez (B2). Dores lancinantes na região ovariana esq., < deitada sobre o lado esq.; seguidas de dor surda (B3). Sentia-se desfalecer e de fato desmaiou antes das menstruações (B3). (Numerosos casos de placenta retida.). Metrorragia, em parte de sangue vivo, em parte coagulado e escuro, com dor de cabeça surda, pontadas nas têmporas, entorpecimento dos membros, olheiras azuladas, olhos encovados. Provoca contrações uterinas e detém hemorragias. [Endometrite crônica (granular) caracterizada por aumento; seja subinvolução, hiperplasia alveolar ou hipertrofia.]
17. Órgãos respiratórios
Espasmo da glote, vindo com sensação de secura na garganta, seguido de esforços para engolir, depois uma espécie de bloqueio completo, provocando esforços de deglutição e enchendo os olhos de lágrimas (B). Respiração lenta e estertorosa. Leve tendência a respiração estertorosa (2º d.). (Um caso de tosse convulsa foi curado em dois dias.)
18. Tórax
Dor transversal na região esternal, abaixo das mamas, indo e vindo, < por respiração profunda ou ao deitar-se sobre o lado esq. (B3). Dor em pontada na parte superior da mama esq. (B3). Punhaladas sob as falsas costelas esq. e constrição na parte superior do pulmão esq., < ao inspirar profundamente. Pontada no tórax abaixo da mama esq., novamente acima do joelho dir. (B). Sensação arrepiada e friorenta no lado esq. da parte inferior externa do tórax (B).
19. Coração
Justamente ao pegar no sono, o coração deu dois fortes golpes, depois disparou batendo a grande velocidade (B1). O coração dava um golpe e depois uma pausa (B). Palpitação durante o coito (B). Pulso pequeno, rápido e muito irregular. Pulso lento, cheio e saltitante.
20. Pescoço e Costas
Dor súbita e momentânea no lado dir. do pescoço, cerca de 5 cm acima da clavícula (B). Dor no lado esq. do pescoço ao virar a cabeça para a esquerda (B). Dor dolorida entre as escápulas (B1). Dor dolorida e ardor na região sacra (B1). Dor lombar e rigidez < ao movimento (B). Calafrio arrepiante na região lombar (B).
21. Membros
Sacudidas nas mãos e pernas como na coreia (B3).
22. Membros Superiores
Dor acentuada na articulação do ombro dir., enquanto estava sentado pensando, às 9 da noite; < ao erguer o braço. Sentiu no dorso da mão esq. como se uma grande aranha rastejasse sobre ela; pouco depois sentiu a mesma sensação no dorso da mão dir. (Proell, após 40 gotas).
23. Membros Inferiores
(Vários casos de ciática.). No mesmo inverno, sentiu subitamente no pé dir. uma violenta dor dolorida, de dentro para fora, que o obrigou a tirar a bota, pois esta lhe parecia apertada demais; essa sensação desapareceu em uma hora (Proell). Dor aguda na nádega dir. (B). Incapaz de dormir até as 4 da manhã por dor na perna dir., no espaço poplíteo e na borda da tíbia, como durante as catamênias; > movendo a perna (B3). Queimação no centro da panturrilha; mudar a posição do membro > mas não remove a dor (B3). Dor dolorida na face superior e externa de ambas as panturrilhas; tem de mantê-las em movimento (B3). Pontada lancinante no centro da face posterior da coxa dir. (B). Fisgada aguda na tíbia esq. (B). Fisgada aguda na base do hálux esq. (B). Pontada acima do joelho dir. (B). Fisgadas súbitas de dor na parte inferior da coxa dir. e na região supraorbital esq. (B).
24. Generalidades
Por volta das 10 da manhã, quando ia ver um paciente, sentiu-se muito estranho, como se fosse cair; sentiu um calor subir dos pés à cabeça, e lhe parecia estar em chamas, ao mesmo tempo em que o rosto se tornava muito pálido; esse tipo de aura epiléptica recorreu três vezes durante o inverno (Proell, após 40 gotas). Todos os músculos do corpo, exceto os dos olhos, ficaram paralisados; não podiam falar nem engolir, e ambas morreram por volta do oitavo ou nono dia, literalmente de fome. Recorrência frequente dos sintomas durante dois anos. (Coreia por susto.). Tremores nos membros, os dentes batiam, ficou todo trêmulo (B1). Incapaz de manter quieta qualquer parte do corpo à noite, com sacudidas primeiro numa parte, depois noutra (B1). Sacudidas e contrações musculares (B2). Terrivelmente cansada, como após trabalho pesado, à noite (B3). Dor lancinante em diversas partes do corpo (B). Tremor por todo o corpo, como se todos os músculos estivessem em contração fibrilar (B).
25. Pele
Pele quente e úmida. A pele parecia seca e ardente (B3). Manchas vermelhas no pescoço e no tórax (B3). No lado esq. do pescoço, grande pápula ou pequeno furúnculo sanguíneo (B).
26. Sono
Sonolência (2º d.). Desperta pensando em coisas horríveis; adormece de novo logo ao mudar os pensamentos (B1). Sono cheio de sonhos; sonhos preocupantes com os assuntos do dia (B3).
27. Febre
Friorento mesmo perto de um fogão; uma sensação fria e friorenta o percorre com frequência (B). Pele quente e muito úmida (2º d.). Primeiro sensação de frio e depois de calor, sem estar realmente quente (B1). Ao acordar, sempre muito quente, exceto nos joelhos, pernas e pés, que estão muito frios. Sensação de calor à noite durante a micção (B).