Viola Odorata
By John Henry Clarke — Dicionário de Matéria Médica Prática
Violeta-de-cheiro. N. O. Violaceæ (uma ordem cujos membros, na sua maioria, contêm emetina, e sob a qual a Ipec. por vezes é colocada: aparentada às Cinchonaceæ). Tintura da planta fresca em flor.
Clínica
Câncer / Coroidite / Tosse espasmódica / de dia / Rouquidão / Histeria / Neuralgia supra-orbitária / Otorreia; suprimida / Reumatismo / Emissões seminais / Terçóis / Tosse convulsa / Reumatismo dos punhos
Características
A violeta foi introduzida por Gross e teve patogenesia realizada por Hahnemann, Gross e Stapf. Gross diz, a respeito dos seus sintomas, que recorriam igualmente em todas as posições, eram leves, mas ainda assim sentidos com mais nitidez do que os de outros medicamentos. Hahnemann teve dor como de contusão em todos os ossos, de manhã, na cama, depois de acordar, > após levantar-se. Stapf teve relaxamento de todos os músculos. A mente achava-se intensamente excitada e perturbada, e V. od. encontrou os seus primeiros usos em casos histéricos. Aversão à música, especialmente ao violino, é um dos sintomas peculiares. Há atividade aumentada e afluxo de ideias, em geral confusas: «Só consegue apreender metade de uma ideia; coloca-a no seu devido lugar, mas não a consegue reter.» Um sintoma-chave de V. od. é a Tensão: «Tensão do occipício e da fronte»; «Tensão do couro cabeludo do occipício mesmo sem se mover, embora < ao dobrar a cabeça para diante e para trás; dolorosa, obrigando-o a enrugar a fronte; durando vários dias.» Gross experimentou o primeiro destes sintomas e Stapf o segundo. O seguinte é de Gross: «Tensão que por vezes se estende à metade superior da face, especialmente ao nariz, daí à fronte e às têmporas, até às orelhas, alternando com sensação semelhante no occipício e nos músculos cervicais.» Cooper (H. M., xxix. 154 e 640) ilustrou a ação de V. od. sobre a cabeça e o olho com um caso: a Srta. X. tinha, havia vinte anos, crises de terrível dor de cabeça que começavam de repente e sem causa aparente, em intervalos de uma semana ou mais. A dor era pulsátil sob a têmpora e o olho direitos, passando por vezes, por pouco tempo, para o outro lado. A visão era muito defeituosa, especialmente em dias escuros e húmidos; um oftalmologista proeminente havia diagnosticado coroidite crónica. Em 11 de setembro de 1893, foi dada uma dose única de V. od. Ø. No dia seguinte, a doente teve dor de cabeça, não no local habitual, mas inteiramente no vértice. Depois disso, não houve dores de cabeça intensas e muito poucos prenúncios. A saúde geral melhorou, e também a visão; a dor e a irritação, que anteriormente eram perturbadoras, desapareceram. Cooper mandou suspender os óculos. Em 10 de março de 1894, houve um acesso bastante pronunciado de dor de cabeça, com sensação de enjoo, na época do período menstrual; «no primeiro dia a dor atravessava-me a cabeça; no segundo dia estava cerca de uma ou duas polegadas acima da orelha direita.» Foi enviada outra dose de V. od. Ø. A partir desse momento, a cura avançou continuamente. O apetite e as forças aumentaram, e a visão pouco a pouco se tornou normal. Em 11 de maio de 1894, a doente escreveu: «Estou perfeitamente bem, e a minha visão está esplêndida.» Cooper considera que V. od. tem relação muito específica com os seios laterais e os seus nervos vasomotores. Os sintomas da patogenesia mostram uma «incidência marcada» no interior dos olhos: «Opressão nos globos oculares; calor e ardor dos olhos»; «Aparências ígneas (um semicírculo ígneo) diante dos olhos»; «Picadas nos olhos.» Cooper também publicou um caso de ouvido tratado com Viola (H. M., xxix. 154): uma criança de dezassete meses era afetada, desde o nascimento, por otorreia recorrente de ambos os ouvidos (< o direito); e dizia-se que duas outras crianças dos mesmos pais haviam morrido por corrimentos dos ouvidos surgidos da mesma maneira inexplicável. Foi dada uma dose de V. od. Ø, e no dia seguinte saiu grande quantidade de secreção fétida do ouvido direito, com melhora imediata do estado da criança; de sonolenta e apática, tornou-se viva e atenta. Daí em diante, desapareceram tanto a secreção como a hipoacusia. Afeções do ouvido com dor em redor das órbitas indicam V. od. V. od. curou vários casos de reumatismo, principalmente do lado direito. Tem afinidade marcada pelos punhos, especialmente o direito. Cooper considera-o Adequado a «pessoas de tez escura do tipo Fer. pic.»; Hering diz que a «raparigas altas, magras, nervosas»; a «raparigas dóceis, impressionáveis, de tez clara»; e a «doentes tuberculosos». Teste, que empregava Viola com frequência, descreveu o tipo como «um temperamento linfático-nervoso, uma disposição branda, pele seca e fresca». Muitos doentes curados por ele eram altos e delgados. [Está registada a cura de Lady Margaret Marsham, 67 anos, de uma afeção da garganta declarada maligna (aparentemente epitelioma da amígdala), com uma infusão de folhas de violeta (H. W., xxxvi. 556). Derramou-se água a ferver sobre as folhas frescas e deixou-se em infusão durante doze horas. Aplicaram-se externamente à garganta compressas humedecidas com isso e cobertas com oleado. O alívio da dor, da disfagia e dos sintomas sufocativos foi imediato. A tumefação externa desapareceu numa semana, e a vegetação da amígdala em quinze dias.] Sensações Peculiares são: Como se tudo na cabeça girasse em redor. Como se os globos oculares estivessem comprimidos. Como se o nariz tivesse sido golpeado e o sangue estivesse a forçar a saída. Como se o palato duro estivesse ressequido. Como se uma pedra estivesse pousada sobre o tórax. Ardor como de uma pequena chama passageira, em pontos aqui e ali. Os sintomas são: < Ao dobrar a cabeça para trás e para diante. < De dia (tosse). < Pela música. Dores ósseas > após levantar-se de manhã. < Quarto frio (rouquidão). < Dia escuro e húmido (visão).
Relações
Antidotado por: Camph. Compatível: Na tosse convulsa, Coral.; na helmintíase, Cina. Compare com: Dor no punho direito, Act. spi., Bry. Expetoração filamentosa, K. bi. Debilidade dos músculos do pescoço, Ver., Ant. t. < Música, Nux, Sep., Ph. ac., Aco., Nat. c., Puls. [Cooper assinalou estreita relação entre as Violaceæ e as Rubiaceæ, notavelmente entre Viola e Ipecac. Tanto Viola como Ipec. têm sido usadas externamente como remédios para picadas e mordeduras de serpente (H. W., xxxvi. 249).] Teste coloca Viola no grupo do Chelidonium e encontra notável analogia entre estes dois medicamentos.
Etiologia
Secreções suprimidas.
1. Mente
Melancolia sombria e tristeza. Humor histérico, com choro constante, sem saber porquê. Aversão à conversa. Grande fraqueza de memória e esquecimento. Grande afluxo (fluxo excessivo) de ideias desordenadas e confusas. Confusão insana, comportamento infantil, desobediência, recusa de alimento, fala em voz baixa e suave. Perspicácia marcante e grande atividade cerebral. Predomínio do intelecto sobre o sentimento. Atividade aumentada do intelecto.
2. Cabeça
Confusão pesada e dolorosa na cabeça. Vertigem rotatória, também quando sentado. Dor de cabeça, por vezes com cãibras nos olhos e círculos luminosos diante da vista. Dor puxante na eminência frontal esq. A cabeça parece pesada e cai para diante; sensação de debilidade nos músculos da nuca. Afluxo sanguíneo à cabeça, com picadas no sincipício (fronte). Tensão nos tegumentos da cabeça, estendendo-se à face, ao nariz e às orelhas, provocando frequentemente franzimento das sobrancelhas. Ardor na fronte.
3. Olhos
Cãibras nas pálpebras. Fechamento dos olhos como por sonolência. Peso das pálpebras. Sensação como se o globo ocular estivesse comprimido. Pupilas contraídas. Calor e ardor nos olhos. Miopia. Chamas diante dos olhos. (Coroidite crónica com terrível dor de cabeça pulsátil sob a têmpora dir. R. T. C.). Provocou terçóis nas pálpebras dir. num caso de Cooper. (Visão turva, < em dias escuros e húmidos).
4. Ouvidos
Dores lancinantes nos ouvidos (e ao redor deles). Aversão a toda espécie de música, principalmente ao violino. Murmúrios e tinidos nos ouvidos. (Os corrimentos de ambos os ouvidos, com hipoacusia, desapareceram após uma dose de Ø. R. T. C.). Faz reaparecer uma secreção que cessou; ou cura uma secreção em poucos dias (R. T. C.).
5. Nariz
Entorpecimento da ponta do nariz, como por pancada, e como se o sangue estivesse a forçar a saída.
6. Face
Fronte quente. Dor na face, com pressão puxante no processo zigomático. Tensão nos tegumentos da face, esp. acima dos olhos. Tensão abaixo dos olhos e acima do nariz, estendendo-se às têmporas. Dores lacerantes na mandíbula inferior (esq.), em direção à orelha.
7. Dentes
Dor lacerante nos dentes inferiores (dir.).
8. Boca
Sensação no palato duro como se estivesse completamente ressequido. Aftas.
12. Abdómen
Distensão do abdómen.
13. Evacuação e Ânus
Constipação intestinal, com vontade infrutífera de evacuar. Helmintíase. Prurido do ânus todas as tardes.
15. Órgãos Sexuais Masculinos
Poluções, seguidas de dor de cabeça.
16. Órgãos Sexuais Femininos
Durante a gravidez, dispneia.
17. Órgãos Respiratórios
Rouquidão, seguida de coriza. Dispneia com tosse violenta; < de dia. Principalmente de dia, em acessos prolongados, tosse seca, curta, violenta, com muita dispneia. Tosse convulsa em meninas pequenas, nervosas e magras. Expetoração abundante, clara, filamentosa, semelhante a geleia. Respiração difícil e quase imperceptível, com expiração dolorosa, ansiedade angustiosa excessiva e violentas palpitações do coração. Falta de ar.
18. Tórax
Violenta opressão do tórax e dispneia, com pressão no tórax, como por uma pedra.
20. Pescoço e Costas
Tensão nos músculos do pescoço. Dor puxante em sacudidas nos músculos cervicais, junto à nuca, estendendo-se para baixo, < deitado sobre o lado oposto.
21. Membros
Reumatismo do lado dir.; o movimento do lado dir. quase impossível. Dor como de contusão em todos os ossos, de manhã, na cama, depois de acordar, desaparece após levantar-se. Relaxamento de todos os músculos. Dores puxantes nos membros. Dor como se todas as articulações estivessem partidas ao despertar de manhã. Tremor dos membros.
22. Membros Superiores
Ligeiro tremor dos braços; dispneia. Reumatismo dos membros superiores; do deltóide; das articulações cárpicas e metacárpicas dir. Dor puxante na articulação do cotovelo e no dorso da mão. Dor compressiva, dolorosa, nos punhos, esp. no dir.
23. Membros Inferiores
Tumefação edematosa dos membros inferiores, com dores pungentes.
24. Generalidades
Congestão sanguínea de partes isoladas. Afeções da orelha esq. Ardor e afrontamentos em diferentes partes. Grande debilidade nervosa. Os padecimentos são leves, mas ainda assim bem definidos, e os mesmos em todas as posições. Bocejos todas as manhãs, com lacrimejamento. O doente deita-se de costas durante o sono noturno, com a mão esq. passada por cima da cabeça e os joelhos fletidos; ao contrário do seu hábito.
25. Pele
Pele seca, quente, falta de suor; apenas as palmas húmidas; sarampo seguindo curso irregular. Ardor passageiro aqui e ali, em pequenos pontos.
26. Sono
Bocejos: e espreguiçamento sem sonolência; todas as manhãs, a ponto de os olhos se encherem de água. Sonolência nos olhos; as pálpebras querem fechar-se. Deita-se de costas durante o sono, com a mão esq. sobre a cabeça, os joelhos fletidos e caídos muito para o lado.
27. Febre
Tendência ao frio. Fronte quente. Ardor passageiro, aqui e ali, como se se concentrasse num pequeno ponto e aí ardesse como uma pequena chama. Arrepios febris. Suores noturnos.