Prunus Spinosa
By John Henry Clarke — Dicionário de Matéria Médica Prática
Abrunheiro-negro. Abrunho. N. O. Rosaceæ. Tintura dos botões pouco antes da floração.
Clínica
Perda de apetite / Ascite / Mama, dor na / Coroidite / Nevralgia ciliar / Cistite / Hidropisia / Disúria / flatulência / Otalgia / Olhos / coroidite / Glaucoma / Coração, afecções do / Hérnia / Herpes zóster / Leucorreia / Menorragia / Metrorragia / Nevralgia / Entorses / Estrangúria / Estreitamento / Odontalgia / Humor vítreo, opacidades do
Características
Prun. spi. foi experimentado por Wahle. Os sintomas se assemelham, em geral, aos de Pru. pd., mas foram produzidos alguns muito fortemente caracterizados. As dores eram opressivas e opressivas para fora, e lancinantes para fora. Essas dores são sentidas no crânio, no olho, na raiz do nariz e nos ouvidos; os dentes parecem levantados para fora de seus alvéolos. Lancinações de dentro para fora, de diante para trás. Essas dores, ocorrendo no olho e ao redor dele, levaram ao seu uso bem-sucedido em glaucoma, nevralgia ciliar, coroidorretinite, iridocoroidite, iridociclite. Dores como de entorse e dores que tiram a respiração. Um sintoma marcante é: "A respiração parece sempre ficar presa no epigástrio." Esse sintoma, juntamente com "dor como se houvesse entorse no tornozelo esquerdo", levou Lippe a realizar uma cura notável neste caso: uma jovem de 16 anos saltou de uma carruagem enquanto o cavalo disparava e torceu o tornozelo. Tornozelo e pé esquerdos muito inchados. À medida que o inchaço diminuía, a respiração tornou-se rápida; grande opressão com desejo constantemente recorrente de tomar uma respiração longa; sentia como se o ar inspirado não chegasse ao epigástrio e, até conseguir forçar o ar tão para baixo, tinha de bocejar e tentar uma inspiração profunda. A sensação de aperto, as pontadas e as dores pungentes no peito assinalaram Prun. spi. como remédio em muitos casos de dores nevrálgicas com herpes zóster ou subsequentes a ele. Os sintomas urinários são talvez os mais peculiares de todos. A pressão da flatulência abdominal sobre a bexiga não é um sintoma incomum, e é tratada por Prun. spi.: "A flatulência comprime a bexiga e = cãibras na bexiga, de modo que ele é obrigado a curvar-se em dois." Produziu-se estrangúria da descrição mais dolorosa, e este sintoma, que é bastante característico: impulsão urgente para urinar, mas a urina parece avançar até a glande e então retornar, causando dor violentíssima na uretra. As menstruações vêm cedo demais; são demasiado abundantes; duram demasiado tempo e são finas e aquosas. Há leucorreia, que debilita e mancha de amarelo. O lado direito é muito mais afetado que o esquerdo. Sensações peculiares são: como se um canto agudo pressionasse contra o topo da cabeça. Dor de cabeça como causada pelo sol. Como se o crânio fosse pressionado para fora por um tampão agudo. Como se a porção interna do olho fosse arrancada. Globo ocular como se esmagado, ou separado à força. Como se um dente fosse arrancado. Como se a língua tivesse sido queimada. Como se a hérnia fosse protruir. Ardor como de uma ferida no reto; como de sal em uma ferida no ânus. Suspiros como ao subir uma montanha íngreme. Como se a região lombar tivesse sido lesionada. Como se o polegar direito estivesse torcido; como se o tornozelo esquerdo estivesse torcido; como se a primeira articulação do hálux tivesse sido puxada para fora. C. M. Boger dá esta confirmação de Prun. spi. (Med. Couns., xvi. 264): Homem, 60 anos, com próstata aumentada de volume, tinha frequentes desejos de urinar, de dia e de noite. Dores lancinantes no colo da bexiga, a menos que o desejo de urinar seja satisfeito imediatamente. A urinação é retardada se grande quantidade se acumulou. Tenesmo espasmódico da bexiga e do reto ao final da urinação, com dores na glande. Latejamento na glande pelo solavanco da marcha. Prun. spi. 1m. (Fincke) removeu os sintomas. Os sintomas são: < toque e pressão. Apertar os dentes > a odontalgia. > pelo repouso; ao dobrar-se. < movimento; por solavancos; deve caminhar com cuidado < à noite. < por alimentos quentes (odontalgia).
Relações
Compare: Coração, Cratæg., Lauro., Pru. p. Olhos, Bell. Língua ardente, Sang., Polyg. Fezes como de cão, Pho. Leucorreia que mancha de amarelo, Agn. c., Carb. a., Chel., Kre., Nux, Sep., Thu., Nit. ac.
Causação
Sol. Entorses. Excesso de levantamento de peso.
1. Mente
Tristeza, apatia, mau humor sombrio e irritabilidade. Inquietação, que não permite permanecer em um só lugar; anda de um lado para outro constantemente, com dispneia e respiração curta.
2. Cabeça
Cambaleava e oscilava para trás e para diante. Sensação de peso na cabeça e vertigem. Pressão na cabeça, principalmente na testa, occipício e têmporas. Dor opressiva sob o crânio, como se o crânio fosse atravessado por um tampão. Cefaleia como se a cabeça fosse forçada a abrir-se, tão violenta que quase perdeu a razão. Dores agudas começando na testa direita, atravessando o cérebro como relâmpago e saindo no occipício. Abalos dolorosos na testa, lançando-se para trás. Dores nervosas violentas na cabeça, com perda das ideias e da consciência. A pressão na cabeça manifesta-se em sua maior parte de fora para dentro. Dor opressiva de dentro para fora sob a parte superior do osso temporal direito; daí até o osso frontal < pela pressão externa. Dor em fisgada: no osso temporal direito até o ouvido, causando otalgia; estendendo-se para fora. Dor opressiva no vértice direito, como se um canto agudo pressionasse contra ele. Pontadas espasmódicas na parte posterior do osso frontal esquerdo. Abalo doloroso através do hemisfério cerebral direito, ao movimento. Dor nervosa opressiva para fora no occipício e no osso occipital (esquerdo). Dor de cabeça como pelo calor do sol. Pontadas no couro cabeludo.
3. Olhos
Dores nos olhos, como se os globos fossem arrancados. Glaucoma. Nevralgia ciliar; dor no globo ocular como se esmagado ou comprimido para separar-se; dor aguda lancinante estendendo-se através do olho para trás até o cérebro, ou acima do olho, estendendo-se para dentro, ao redor dele ou sobre o lado correspondente da cabeça; a dor começa atrás do ouvido e lança-se para diante até o olho, < pelo movimento, > pelo repouso; as dores são por vezes periódicas, podendo ser < à noite. Dor no olho direito como se fosse rasgado; como se a porção interna fosse arrancada. Coceira nos cantos dos olhos e nas bordas das pálpebras.
4. Ouvidos
Sensações constritivas nos ouvidos. Dor no ouvido direito como se fosse separado à força, como otalgia.
5. Nariz
Espirros frequentes. Dores como de separação à força em volta dos ossos nasais.
6. Face
Pontadas pruriginosas na parte superior do osso malar.
7. Dentes
Dores nervosas violentas ou como de torção nos dentes, ou então sensação como se os dentes estivessem erguidos e arrancados. Dores pungentes nos dentes. Odontalgia > ao apertar os dentes.
8. Boca
Lancinadas e dor em queimação na língua. Língua carregada de muco esbranquiçado. Prurido com formigamento na ponta da língua e nos dentes anteriores. Gosto mucoso, pegajoso ou amargo na boca.
9. Garganta
Escoriação, raspagem, rastejamento na garganta, causando tosse seca e irritativa.
11. Estômago
Ao comer, por vezes é tomado por fome, mas uma quantidade muito pequena de alimento satisfaz o apetite. Enjoo constante, com aversão a todo alimento e diarreia. Plenitude, distensão e opressão no epigástrio, com falta de ar (como após refeição abundante ou por excesso de levantamento de peso).
12. Abdómen
Dores na região hepática. Cólica espasmódica violenta, que impede deitar-se de costas ou de lado, e também andar, exceto muito lentamente; > ao curvar o tórax para diante. Cólica opressiva no epigástrio, ou no lado direito do abdómen, mesmo à noite. Cólica como por comer muita fruta e beber muita água depois. Lancinações no abdómen, que interrompem a respiração. Tumefação hidrópica do abdómen, com falta de apetite, urina escassa, fezes duras e nodosas. Ascite, com perda de apetite, urina escassa, evacuação dura e nodosa, difícil de eliminar. Flatulência encarcerada pressionando a bexiga, causando cãibras nela e obrigando a andar curvado. Encarceramento de gases, com cólica espasmódica e cãibras na bexiga. Lancinações na região inguinal direita e pressão, como se uma hérnia estivesse prestes a protruir. Borbulhamento como de uma bexiga cheia de líquido na prega do baixo ventre direito. Pontadas muito dolorosas na virilha direita, > pela pressão das mãos.
13. Evacuação e Ânus
Fezes difíceis, duras e nodosas. Diarreia; com cólica e evacuação copiosa de matéria fecal; fezes constituídas de muco, com ardor no reto como de uma ferida. Muita água fétida descarregada involuntariamente pelo reto à noite em pessoa que sofria de ascite; depois do que o inchaço no abdómen direito diminuiu constantemente e desapareceu em oito dias. Evacuação dura, intermitente, parecendo excremento de cão, em pequenos grumos, com pontadas no reto arrancando gritos. Borbulhamento espasmódico no reto ao sentar-se. Dor opressiva como se um corpo angular fosse pressionado para dentro no lado direito do reto, uma polegada acima do ânus. Dores semelhantes a cãibra no reto. Eliminação de sangue pelo ânus após a evacuação.
14. Órgãos do Aparelho Urinário
Cãibras na bexiga, também à noite, perturbando o sono. Tenesmo da bexiga, a cada meia hora durante oito horas. Ardor no esfíncter vesical. Dor como por supuração ou ulceração; < ao segurar a uretra. Urina escassa e castanha. Jato de urina como um fio, com pressão para evacuar. Jato bifurcado. Urina quente, corrosiva. Urina amarelo-viva, com sedimento esbranquiçado e, por vezes, de cor azul-celeste. Estrangúria. Desejo contínuo de urinar, com ardor e mordedura na bexiga e na uretra; quando se tenta urinar, ardor na uretra, de modo que é preciso curvar-se em dois sem conseguir urinar. Desejo urgente de urinar; a urina só chega à glande e ali causa dores violentas e espasmos, também com tenesmo no reto; a dor na bexiga é momentaneamente > assim que a urina desce pela uretra. A urina chega à glande e então retorna. Retenção espasmódica de urina. Tenesmo da bexiga. Dores violentas em queimação na uretra ao esforçar-se para urinar. Dor na uretra, como por escoriação, especialmente quando tocada.
15. Órgãos Sexuais Masculinos
Flacidez do pênis e retração do prepúcio. Coceira agradável no escroto, logo em seguida > ao coçar.
16. Órgãos Sexuais Femininos
Eliminação de um sangue aquoso e pálido do útero. Cócegas e coceira na região dos ovários, não > por coçar e esfregar. Metrorragia diária durante oito a dez semanas, tornando-se cada vez mais aquosa quanto mais durava. Menstruações aquosas e finas. Catamênios muito precoces e excessivamente abundantes, com dores sacrais. Leucorreia corrosiva, manchando de amarelo.
17. Órgãos do Aparelho Respiratório
Raspagem e aspereza na garganta, com inclinação para tossir. Tosse excitada por um cócega como de uma pena, ou por rastejamento na laringe e na parte superior da traqueia; a tosse renova-se ao prender a respiração. Tosse sibilante. Respiração difícil, causada por sensação de peso na parte inferior do tórax. Respiração oprimida, curta, difícil, angustiada e ofegante. A respiração é continuamente detida no epigástrio.
18. Peito
Dor no peito, ao falar, com voz fraca. Sensação de peso e opressão no peito. Dores sob o esterno e opressão, com plenitude no escrobículo e distensão do abdómen. Dores em pontada nas partes carnosas da mama esquerda na inspiração profunda; estendem-se para todos os lados e mesmo acima do ombro esquerdo; ao caminhar e ao sentar-se.
19. Coração
Batimentos furiosos, mesmo em repouso, e grande perigo de sensação de sufocação ao menor movimento; pulsação visível das carótidas; face inchada e púrpura; lábios púrpura; menstruações suprimidas. Pancadas no coração com respiração laboriosa. Mesmo movimento muito moderado < agrava terrivelmente os batimentos do coração. Edema muito avançado dos pés em menina de 14 anos, com hipertrofia cardíaca.
20. Pescoço e Dorso
Dor opressiva na região da nuca, envolvendo todo o occipício ao inclinar-se. Todas as partes das costas e da região lombar parecem rígidas, como se tivessem sido lesionadas. Pontadas entre as escápulas ao puxar uma longa respiração. Dor na região lombar ao sentar-se. (Dor na região lombar como se toda a força tivesse desaparecido. R. T. C.). Pontada do lombo direito ao umbigo, tirando a respiração; < deitado de costas. Dor, como por ulceração, nos lombos. Rigidez nas costas e nos lombos, como causada por distensão.
22. Extremidades Superiores
Pressão no ombro direito, estendendo-se ao músculo deltoide, impedindo levantar o braço. Sensibilidade dolorosa das glândulas axilares. Tensão, dores como de torção e sensação paralítica em diversas partes dos braços e das mãos. Dores paralíticas na articulação do cotovelo esquerdo, estendendo-se ao punho. Punho direito: dor como de torção durante o repouso; dor como se fosse formar-se uma contusão. Sensação como de entorse no polegar direito, impedindo escrever; não consegue segurar a pena. Coceira nos dedos, como por frieiras.
23. Extremidades Inferiores
Dores nos quadris à noite, antes da meia-noite. Dor no quadril, < pela manhã, e livre dela após a meia-noite. Inquietação nas pernas, tendo de mudar a posição continuamente. Dores como de torção nos joelhos e nos pés. Ardor nas pernas. Dor como de entorse no tornozelo esquerdo. Dor na primeira articulação do hálux, como se tivesse sido puxada para fora.
24. Generalidades
Lancinações nos músculos. Tremor em todo o corpo. Mal-estar no corpo, com falta de ar e opressão do peito.
26. Sono
Sono após a refeição. Sono retardado e insónia à noite. Desperta cedo demais. Lassidão pela manhã, como após sono não reparador. Sono cheio de sonhos e fantasias. Sonhos com furúnculos; ou com coisas salgadas.
27. Febre
Calafrios, especialmente à tarde. Calor seco por todo o corpo, especialmente nos órgãos genitais. Suor apenas no rosto, durante o sono.