Pulsatilla Nuttaliana.
By John Henry Clarke — Dicionário de Matéria Médica Prática
Pulsatila americana. Flor-da-páscoa (americana). Anemone Ludoviciana. A. nuttaliana. N. O. Ranunculaceæ. Tintura da planta inteira.
Clínica
Amenorreia / Clavo / Resfriados; propensão a / Hipoacusia / Diarreia / Dispepsia / Pés, inquietos / Saudade de casa / Joelhos; reumatismo dos / Fígado, dores no / Sarampo; profilaxia do / Menstruações, retardadas / Ptose / Reumatismo; errante / Ciática / Ombro, r., dor no / Zumbidos / Útero, dores no
Características
A Pulsatilla americana aproxima-se, em seus caracteres botânicos, mais de P. vulgaris do que de P. nig. Floresce especialmente nas escarpas secas e arenosas que formam o leito do Mississippi. A flor é de um púrpura pálido. "O odor da planta seca é bastante fraco, sendo levemente canforáceo; o sabor das flores secas é simplesmente adocicado e herbáceo, o das folhas mais adstringente, com acrimônia muito discreta. O sabor e, em certa medida, o odor da planta fresca são ambos acres e irritantes" (Hale). A. W. Miller, farmacêutico (citado por Hale), analisou P. nutt. As substâncias extraídas tinham sabor acre, quase cáustico, e odor canforáceo bem marcado. Quando volatilizadas, produziam um vapor irritante, picante, que afetava os olhos e provocava espirros. O exame revelou os seguintes constituintes: (1) Orgânicos . Glicose, goma, resina, um alcaloide e ácido anemônico. (2) Inorgânicos . Sulfato de potassa, carbonato de potassa, clorato de potássio, carbonato de cal, magnésia e "um protossal de ferro," O Dr. W. H. Miller (irmão de A. W. M.), um alopata, afirmou ter empregado P. nutt. com êxito em muitas afecções oculares crônicas, especialmente catarro, amaurose e opacidades da córnea, erupções cutâneas e sífilis secundária. Hale instituiu a primeira investigação homeopática, e Burt foi o primeiro experimentador. Os sintomas têm forte semelhança com os de P. nig., e os casos curados com P. nutt. são, em sua maioria, daqueles que responderiam a P. nig. Um paciente meu ficou incidentalmente curado de uma tendência a resfriar-se por tomar P. nutt. durante algumas semanas como profilático contra o sarampo. Burnett curou com ele um caso de hipoacusia e edema da pálpebra superior esquerda. A patogenesia mostrou um efeito potente sobre a função menstrual, e Hale relata muitas curas de retentio mensium: (1) Uma moça, anteriormente sujeita a atraso menstrual, apresentava: sensação constante de frio, mãos e pés frios, falta de apetite, eructações azedas, enjoo após as refeições, hemicrania, odontalgia, melancolia, estado malárico geral. Menstruação com duas semanas de atraso; resfriou-se na época em que devia vir, quando apresentava sintomas premonitórios; agora não havia sintomas de menstruação. P. nutt. 1, em água, de duas em duas horas. Após a primeira dose, a menstruação apareceu e os sintomas constitucionais desapareceram. (2) Mulher jovem, pletórica, habitualmente sadia, tinha menstruação atrasada duas semanas. Dor de cabeça contínua e intensa, com sensação de peso e plenitude, < ao mover-se ou abaixar-se; visão turva, cegueira completa ao abaixar-se ou ao levantar-se subitamente; peso na região uterina, dor acentuada estendendo-se para as costas, < ao entardecer. Mãos e pés frios; fraqueza nos membros inferiores. Act. r. não aliviou. P. nutt. 1x, 5 gotas de três em três horas, trouxe melhora rápida. No dia seguinte, a menstruação veio abundantemente, porém sem dor, dois dias antes de completar a oitava semana. As dores errantes de Puls. foram muito notáveis na patogenesia. Hale relata este caso: homem forte, de aspecto saudável, tinha dores reumáticas errantes principalmente no dorso do pé direito, lombos, coxas, tórax, braços, cabeça. A dor de cabeça era uma pressão surda e pesada no vértex, quase constante, com dores agudas ocasionais. Havia alguma febre, mas nenhuma inflamação local das articulações ou músculos. Urina escassa, depositando litatos. Acidez estomacal. Apetite bom. Intestinos normais. P. nutt. 1x curou em três dias. Alguns Sintomas Peculiares são: sensação de saudade de casa. Fraqueza trêmula, cansaço, sensação de peso. Estalidos nos ouvidos. Pés inquietos. Cólica antes e depois da evacuação. Cólica após comer uma pera. Rigidez dos dedos. Mãos quentes e secas (sintoma constante). Os sintomas são < ao entrar vindo do ar livre; após comer; ao comer uma pera; à noite; pelo calor; ao ler; ao urinar; ao caminhar. > Caminhando ao ar livre; fricção com escova de corpo; coçar-se.
Relações
Veja Puls. Antidotado por: Ant. c. Compare: Em pés inquietos, Zn., Caust.
1. Mente
Triste, sombrio; com eructações frequentes. Saudoso de casa, desalentado. Ansiedade; à noite. Irritável; movimentos rápidos, nervosos. Entorpecido, indisposto para o trabalho.
2. Cabeça
Tontura ao entrar em casa vindo do ar livre; súbita, à tarde, com plenitude da cabeça. Dor de cabeça surda e pesada, de manhã; > por exercício ativo antes do desjejum. Dores errantes na cabeça e nos pés. Dor de cabeça frontal, surda, opressiva; ao despertar. Dores intensas na parte superior da testa passam em onda para o occipício, envolvendo todo o cérebro. Com a dor de cabeça, dores incisivas na região epigástrica. Dor intensa sobre o olho l.; como se um prego estivesse sendo pressionado na testa. Dor sobre o olho r., à tarde, > caminhando ao ar livre, < em quarto aquecido, com sensação de calor, plenitude na cabeça e secura dos olhos. Dores agudas, lancinantes, através de ambas as têmporas; na têmpora r. Dor surda na têmpora r.; no vértex. Forte latejamento no vértex. Sensação de plenitude e calor no cerebelo. Dor de cabeça que se origina na nuca e sobe.
3. Olhos
Secreção abundante de muco pelos olhos. Dor surda no interior dos olhos, com ardor. Secura; ardor; fluxo abundante de lágrimas. Contrações: da sobrancelha l. e da pálpebra superior durante meia hora após deitar-se; pálpebras r. < ao ler. Paralisia das pálpebras. Edema da pálpebra superior l. Bordas tarsais vermelhas, secas, irritáveis. Pálpebras aglutinadas; secreção abundante de matéria macia, amarela ou branca. Lacrimejamento abundante com dores surdas no globo ocular estendendo-se ao osso malar. Dores nevrálgicas nos globos oculares, ao caminhar, < r.
4. Ouvidos
Dores intensas, puxantes, ao longo da trompa de Eustáquio r. Com as dores na cabeça e nos olhos, dores puxantes frequentes nos ouvidos, de dentro para fora. Dores agudas no ouvido r. e nas têmporas. O ouvido l. parece tapado; mais tarde ambos. Estalidos nos ouvidos; vibração no r. Hipoacusia, com edema da pálpebra superior l. (curado).
5. Nariz
Secura e calor no nariz.
6. Face
Face vermelha, quente, afogueada. Tez a princípio áspera; depois muito límpida após o desaparecimento do exantema. Depois de comer, rubor, afluxo de sangue à face. Puxamento doloroso no osso malar l. e na mandíbula. Lábios secos.
8. Boca
Língua: saburrosa, branca, com gosto insípido e pastoso ao levantar-se; coberta por limo espesso, vermelha, bastante seca e tumefeita, com marcas dos dentes; saburra amarelada ao longo do centro; excepcionalmente vermelha após comer. Hálito fétido, para si e para os outros; após comer. Boca e lábios secos. Ardor do véu palatino. Boca enchendo-se de saliva. Ao despertar, gosto seco e pastoso na boca, como se a língua estivesse espessamente saburrosa (o que não estava). Gosto: insípido; insípido e amargo; insípido e áspero; adocicado; ruim. Despertou do sono da tarde com acidez semelhante a vinagre na boca e dor surda, opressiva, no estômago.
9. Garganta
Frequente vontade de pigarrear. Após comer, leve irritação na garganta, com expectoração fácil de muco branco e tenaz. Garganta seca, ardente ao despertar, contendo muito muco tenaz, difícil de desprender. Sensação arranhante e rouca na garganta. Sensação de tampão na parte inferior da garganta.
11. Estômago
Grande fome; retornava rapidamente após comer. Falta de apetite. Mais sede que o habitual; água fria muitíssimo agradável. Eructações: com sabor de Puls.; ao cavalgar, arrota alimento quente e sem sabor; de vento quente e insípido; de ar azedo. Deglutição como de substância espessa. Azia. Enjoo; e dor de cabeça surda, depois sensação de desfalecimento no estômago; ao entrar em casa. Plenitude no estômago impedindo de comer, apesar do apetite (curado na patogenesia). Sensação dolorosa de vazio, pressão, depois ascendendo em direção ao esôfago como azia. Sensação de vazio: após evacuação; após comer. Sensação roedora, de vazio. Peso e pressão no estômago após comer; com desfalecimento. Sofrimento: com fortes dores incisivas na região epigástrica. Sensação como se agulhas fossem pressionadas através do estômago. Calor no estômago aumentando pouco a pouco até dor, < em pontos sob o esterno; queimação; ardor com picadas.
12. Abdome
Dores surdas no hipocôndrio r.; no l. Dor intensa no umbigo às 6 a.m., com vontade de evacuar; evacuação escura, coberta de muco; dores intensas durante meia hora depois. Borborigmos; após o jantar, gases no abdome distendido movendo-se do epigástrio ao hipogástrio. Dor dolorida em um ponto < ao mover-se. Dores cólicas após comer uma pera madura. Dor dolorida na virilha l.; acima da crista ilíaca l. ao mover-se ou curvar-se. Dores surdas: em todo o abdome; por acessos no hipogástrio.
13. Evacuação e Ânus
À tarde e ao entardecer, sensação de que deve evacuar logo em seguida, com sofrimento constante no epigástrio inferior e umbigo. Ataque súbito de diarreia enquanto cavalgava. Evacuações: escuras, finas, papiformes; aquosas, amarelo-claras, sem dor; pastosas; escuras, ligeiramente cobertas de muco; secas, duras, grumosas. Prisão de ventre.
14. Órgãos urinários
Dor ao urinar; na extremidade da uretra. Micção frequente. Tenesmo, estendendo-se pelos ureteres acima; mal-estar nos rins. Urina: pálida; albuminosa; excesso de água; odor de gambá.
15. Órgãos sexuais masculinos
Ereção angustiante, logo cedendo. Dor no pênis ao despertar, < ao urinar. Dores intensas, em pontada, no cordão espermático e testículos (l.). Dores surdas nos testículos, < r. Emissão.
16. Órgãos sexuais femininos
Dores pungentes, fulgurantes, atravessando o útero de lado a lado. Leucorreia, branda, porém tão profusa e com tal abatimento que a experimentadora recusou-se a tomar mais do medicamento, embora ele tivesse removido uma dor pleurítica. Leucorreia, sem dor, às 4 p.m. Sensação como se a menstruação fosse começar. (As menstruações tornaram-se mais regulares.). Menstruações fracas, muito cedo (nunca antes; mas o fluxo, que anteriormente era demasiado escuro e com dor, desta vez tinha cor natural e era indolor). As menstruações, sempre copiosas, aumentaram até hemorragia abundante e duraram três dias. De manhã, ao despertar, verificou que a menstruação havia retornado pela primeira vez desde o desmame do bebê (dois meses).
17. Órgãos respiratórios
Tossiu muito. Tendência constante a tossir. Pequeno ponto dolorido na parte superior da traqueia.
18. Tórax
Dor aguda, lancinante, no músculo peitoral maior, seguida de ardor penoso no local. Durante o entardecer, dor intensa sob o braço l., mais perto das costas. Dor dolorida no tórax durante toda a manhã. Manchas pruriginosas na mama r.; no lado direito do tórax.
19. Coração
Pulsação audível do coração. Pulso acelerado.
20. Pescoço e Costas
Rigidez do lado r. do pescoço, de manhã. Dor nas costas. Dificuldade de mover as costas, esp. os lombos. Acordava frequentemente com dor nas costas. Fraqueza dos lombos; sensação como se a menstruação fosse começar.
21. Membros
Dores doloridas nos membros e nos lombos o despertam frequentemente. Dores errantes frequentes nas mãos, pés, artelhos.
22. Membros superiores
Reumatismo do ombro r. Dificuldade de movimento nos músculos do braço superior r. Músculos rígidos. Dores momentâneas frequentes nos punhos e dedos. Dedos rígidos. Mãos secas e quentes o dia todo.
23. Membros inferiores
Dores nevrálgicas agudas ao longo do nervo ciático, da articulação do quadril até o meio da coxa. Puxamento no músculo sartório (l.), ao caminhar. Dor em ambos os joelhos; < l.; intensa, surda, no joelho r. durante duas horas na cama; reumática. Pernas pesadas ao caminhar; fraqueza trêmula; dores nervosas, < l. Cãibra. Dor surda nos tornozelos; dores errantes. Com vontade de urinar, à tarde e à noite, sente-se uma sensação nervosa, inquietação irresistível, < à noite. Erupção elevada nos tornozelos e até a metade da perna, várias grandes manchas nas costas, vermelho-escuras; coça o tempo todo, < à noite. Pés muito frios, ao entardecer.
24. Generalidades
Grande debilidade; ao levantar-se; à noite. Langoroso, febril, abatido.
25. Pele
Erupção elevada, manchada, nas pernas e nas costas. Leve exantema nas costas e nos ombros. Pequenas pápulas dispersas e pruriginosas no lado direito do tórax; manchas vermelho-claras, tipo exantema, na mama r., com coceira intensa à noite; < quando aquecido. Exantema vermelho no corpo, face, pescoço, costas, tórax, abdome, membros, < tórax e abdome; mais tarde eritema; depois nódulos, que se tornam brancos após coçar (> Ant. c. 200). Prurido: intenso em todo o corpo; < à noite antes de deitar; > esfregando; < ao cavalgar em ar frio; retornou repetidamente durante todo o inverno.
26. Sono
Sonolento; sono não reparador. Insônia: por uma hora às 4 a.m.; por várias horas; por comer em excesso. Inquieto, com dor de cabeça frontal. Muitos sonhos; confusos.
27. Febre
Arrepios; com sensação de plenitude e desconforto no estômago; com vontade de bocejar; com evacuação papiforme; tremores. Calor; febril com debilidade; pele quente, flácida; > vento fresco e tempestuoso. Face quente, pés frios; mãos quentes e febris.