Dioscorea villosa

por Richard Hughes & Jabez P. Dake — Enciclopédia de Patogenesia Medicamentosa

Referência histórica para profissionais e estudantes. As afirmações abaixo refletem os ensinamentos homeopáticos do autor indicado e não comprovam a eficácia do tratamento. Este texto não constitui aconselhamento médico e não deve substituir um diagnóstico ou cuidados adequados.

Volume II — Texto principal

DIOSCOREA.

Dioscorea villosa, L. Inhame-peludo. Ord. Nat., Dioscoreaceae. I. Experimentações patogenéticas.—1. O Dr. BURT tomou, em 5 de maio de 1864, às 10 a.m., 30 gotas de extrato fluido. Após [fração de hora ausente no original], começou a sentir dor em todo o epigástrio e na região da vesícula biliar, bastante intensa, de caráter cortante e dilacerante, por vezes espasmódica. Às 3 p.m., sendo apenas leve o mal-estar no estômago, tomou 40 gotas. Às 5, leve cefaleia frontal surda; as mesmas dores gástricas de antes, também na região umbilical (agravadas pelo movimento); frequente dor repuxante no ombro e pescoço esq., também nos joelhos e tornozelos—os primeiros muito fracos ao caminhar; dor surda constante na região lombar, agravada ao curvar-se ou caminhar. Tomou 50 gotas. Dia 6.—Acordou 3 vezes durante a noite com dores cortantes intensas no umbigo. Pela manhã, dor surda contínua nessa região, com cólicas ocasionais; cefaleia frontal intensa; revestimento espesso branco-amarelado na língua; gosto áspero e insípido na boca; evacuação negra, seca e grumosa; a mesma dor lombar; os dedos doem e estão bastante rígidos; dores repuxantes nos tornozelos e pés. Tomou 60 gotas. Às 9 a.m., todos os sintomas se agravaram; tomou 100 gotas. Às 11, as dores cortantes intestinais tornaram-se mais intensas; dores repuxantes também nos antebraços, nas mãos e entre os ombros. Às 3, estando as dores mais brandas, tomou 200 gotas. Às 5, grande aumento do sofrimento abdominal; sensação de pressão para baixo no reto; sente-se muito fraco, com mãos e pernas tremendo constantemente; pode ouvir o coração bater depois de caminhar um pouco; pulso 80; dor pungente e pulsátil no alto do esterno, com duração de uma hora; as demais dores permanecem iguais; dor cortante muito aguda nas plantas dos pés e nos dedos. Às 9, cabeça e abdome na mesma condição, bem como as dores no esterno, nos lombos e nas extremidades; há dor surda e mal-estar constantes no ânus, e apareceram três tumores hemorroidários, parcialmente prolapsados. Tomou 150 gotas. Dia 7.—A princípio, dormiu profundamente, transpirando muito; acordou, porém, às 2 a.m., com intenso mal-estar ardente no estômago, que fica bastante doloroso à pressão. Mais tarde, a dor torna-se contínua; língua branca e gosto pastoso; a primeira parte da evacuação é negra, seca e dura, e a última, pastosa e branca, seguida da protrusão de 4 hemorroidas, semelhantes a grandes cerejas vermelhas, com muita dor e mal-estar no ânus; cefaleia surda constante; mãos e pés rígidos e dolorosos, aliviados após 2 h. de exercício. Às 10 a.m., tomou 100 gotas e, ao meio-dia, 200. As hemorroidas permanecem prolapsadas, causando grande sofrimento; uma delas tem coloração azul-escura lívida. A cefaleia é leve; as dores abdominal e lombar são constantes e intensas

(a flexão da coluna causava dor cortante aguda). Às 4, cefaleia intensa; sente-se prestes a desfalecer, fraco e vertiginoso; mãos e pernas tremem constantemente; precisa deitar-se para não desmaiar; dor no abdome e nas extremidades como antes. Tomou 3 doses de cânfora sem alívio; depois inalou clorofórmio quase a cada poucos minutos, diminuindo a cada vez a sensação de desfalecimento, que finalmente o deixou às 7. Quanto ao restante, permaneceu praticamente na mesma condição durante toda a noite. Evacuação muito dura, seca e grumosa, causando grande sofrimento nas hemorroidas. Dia 8.—Dormiu bem até a meia-noite; depois disso, ficou inquieto até a manhã; pele seca e quente, mas pulso (deitado) de apenas 62; cabeça, estômago e costas na mesma condição pela manhã, assim como as extremidades, embora estas melhorassem ao movimentar-se. Mais aliviado por volta do meio do dia; mais tarde, porém, retornaram o ardor no estômago, a cefaleia e a claudicação dolorosa das costas; as hemorroidas ainda incomodam. Evacuação mole e amarela. Dia 9.—Dormiu bem; acordou às 5 a.m. com dor intensa nas regiões umbilical e hipogástrica e grande urgência para evacuar; a evacuação foi abundante, líquida e amarela, mas não aliviou a dor até que uma segunda se seguiu às 7; ambas causaram acentuada sensação de desfalecimento no estômago. Sentiu-se bem durante o dia, mas, a partir das 6 p.m., retornou o mal-estar ardente no estômago, bem como dor nevrálgica intensa na virilha esq. Dia 10.—Dormiu bem, mas acordou com os mesmos sintomas abdominais; mãos e pés rígidos; dor surda nas costas; hemorroidas indolores e diminuindo de tamanho. A dor nas costas só cessou após uma semana. (HALE'S New Remedies, 2nd ed.) 2. a. O Dr. Thos. NICHOL tomou, em 1º de dezembro de 1865, às 11 a.m., uma colher de chá da 1ª dil., em um pouco de água. Às 11.30, náusea e mal-estar nauseoso, com dor em pontada na região do coração e sensação incômoda na região umbilical. Às 3 p.m., borborigmos intestinais, com dolorimento à pressão e distensão considerável. Às 9 p.m., repetiu a dose. Todos os sintomas se agravavam ao deitar-se, e a dor lançava-se, a intervalos, para baixo, até as regiões ilíacas, especialmente a dir. Sono confuso, com sonhos ansiosos. Dia 2.—Às 8.30 a.m., repetiu a dose. A dor abdominal, contínua ontem, está intermitente hoje. Língua amarela e eructações com gosto de ovos podres. Uma maçã ácida, comida às 2 p.m., dissipou todos os sintomas. b. Retomou a experimentação patogenética no dia 5 com a 1ª trit. de "disocorein" (preparação concentrada). Às 12.30 p.m., tomou 2 grãos. À 1, borborigmos intestinais e desejo de evacuar, com sensação incômoda no estômago, náusea e aversão aos alimentos. Às 3.30, distensão da região umbilical, com dolorimento à pressão e sensação vertiginosa e confusa na cabeça. Às 4, repetiu a dose. Às 5, sonolência incomum e, ao despertar de um meio-sono, languidez inusitada, com aversão ao esforço mental. Dia 6.—Passou uma noite muito inquieta e levantou-se sentindo-se lânguido e sem ter repousado; a cabeça doía acima dos olhos; a boca estava amarga e pegajosa. Às 7 a.m., bastante calor no estômago, com náusea. Gradualmente surgiu vertigem, que durou uma hora; a cabeça parecia quente e, por volta das 8, irrompeu suor quente na fronte, havendo também borborigmos intestinais. Ao meio-dia, 5 grãos. À 1.55, retorno súbito da vertigem, com calor na cabeça; isso prosseguiu com violência durante [fração de hora ausente no original] e depois diminuiu, mas persistiu em maior ou menor grau durante toda a noite. Dia 7.—No início da manhã, enquanto estava na cama, sentiu náusea branda, porém persistente, acompanhada de dores pungentes nas regiões umbilical e ilíaca dir. A dor era espasmódica e muito aguda, não influenciada pela pressão, embora esta provocasse borborigmos. Às 9.30 a.m., dores cortantes muito agudas ao longo de todo o lado dir. da fronte, lançando-se para trás até as orelhas; não eram contínuas, mas remitentes, e agravavam-se pela pressão. Às 5, enquanto caminhava na rua, foi acometido de vertigem tão violenta que não conseguia andar e cambaleava como se estivesse embriagado; ao mesmo tempo, agravou-se a dor nevrálgica. Dia 8.—Às 2.45 p.m., tomou 15 grãos. Às 3.25, retorno das dores pungentes nas têmporas, agravadas pela exposição ao ar frio. Não tomou mais medicamento, e os sintomas diminuíram gradualmente. (Ibid.) 3. O Dr. H. A. SUMMER tomou doses de [quantidade ausente no original] grão de dioscoreína 3 vezes ao dia, até completar 25 doses. Logo após a primeira, teve dor considerável no abdome, pouco depois seguida de leve diarreia. Posteriormente, nada sentiu. Aumentou então a dose para 1 grão, quando foi novamente acometido de dores abdominais e diarreia; estas logo desapareceram e, embora continuasse a usar a droga até haver tomado 12 doses desse tipo, nenhum outro efeito foi perceptível. Após 3 dias, começou a tomar doses de 2 grãos; depois de 4 dessas doses, porém, foi acometido de dores constritivas tão intensas no abdome que precisou interromper a experimentação. Desde que a iniciara, seu apetite havia aumentado muito. (PAINE, em Ibid.) 4. Comecei a tomar [quantidade ausente no original] grão de dioscoreína, com os seguintes efeitos:—A primeira dose causou leve plenitude na cabeça, com aumento da salivação e agradável gosto adocicado. Os sintomas continuaram por 3 h. A mesma dose foi tomada 3 vezes ao dia nos dias 7 e 8, com efeitos semelhantes. No dia 9, a dose foi duplicada pela manhã, o que causou leve dor contínua no abdome, como se a ponta de um dedo fosse colocada sobre o umbigo e pressionasse para cima e para trás.

Ao meio-dia, a dose foi triplicada, com aumento da intensidade dos sintomas e evacuação, algo incomum nesse horário. À noite, a dose foi quadruplicada, mas adormeci antes que começasse a agir e permaneci sem perturbação por cerca de 4 h.; então despertei de um sonho horrível, sentindo muita dor no abdome. Ela logo cedeu e tornei a adormecer, mas despertei pouco depois e percebi dolorimento à pressão. Tomei então 5 doses de 1 [unidade ou fração corrompida], aumentando até 3 grãos. Em [abreviatura temporal corrompida], houve plenitude na cabeça, rapidamente seguida de dor intensa no abdome, mais espasmódica do que antes. Durante os intervalos, havia sensação de queimação, que durou 3 h. Julguei então prudente interromper a experimentação. O dolorimento persistiu por 2 dias. (Ibid.) 5. O Dr. O. M. DRAKE, em bom estado de saúde, salvo por dor ocasional surda e pesada no ângulo inferior da escápula esq. durante os últimos 12 meses, tomou, em 29 de outubro de 1867, às 10 a.m., [quantidade corrompida] grão da 1ª trit. Em 10 min., náusea considerável, com borborigmos na porção cardíaca do estômago. Às 11, cefaleia surda e náusea, ambas persistindo até as 3; às 3.30, evacuação dura e grumosa. Às 10, tendo desaparecido todos os efeitos desagradáveis, tomou 2 grãos. Em 15 min., dor pungente no lado esq., aproximadamente à altura da 8ª costela, impedindo a inspiração profunda; dor na base do 2º artelho dir., que desaparecia com o movimento, mas retornava imediatamente, durando cerca de 6 min.; borborigmos intestinais. Em 40 min., dor cortante no lobo dir. do fígado durante 5 min. Dia 30.—Levantou-se com gosto ruim na boca e língua branco-amarelada. Às 10 a.m., 1 grão. Imediatamente, náusea considerável, mas não tão intensa quanto ontem. Em 30 min., retornou a cefaleia surda, sobretudo nas têmporas, persistindo até a tarde. Às 10 p.m., 2 grãos. Em 20 min., dor no umbigo; em [fração de hora ausente no original], peso na cabeça e dor acima do olho dir. Dia 31.—Após dormir bem, acordou com uma cefaleia horrível, tão intensa que o fazia cambalear; a coluna parecia fraca e dolorida; revestimento esbranquiçado na língua, com gosto nauseante. Às 11, sentindo-se bem, tomou 1 grão, que produziu a sensação habitual na cabeça, mas nenhuma náusea. Às 10.30 p.m., 2 grãos; sensação desagradável nas têmporas, sem outro efeito. 1º de novembro.—Pela manhã, língua saburrosa. Às 10 a.m., 2 grãos; nenhum sintoma. Às 10 p.m., evacuação cuja primeira parte era grumosa e a segunda, solta. Às 10.30 p.m., 3 grãos, sem efeito salvo peso na cabeça. Dia 2.—Dormiu bem; língua saburrosa; gosto na boca menos ruim que ontem. Às 11 a.m., 3 grãos; às 10 p.m., evacuação mole, com dor considerável; às 10.30, 3 grãos, seguidos de alguns borborigmos intestinais. Dia 3.—Dormiu bem; sentia enjoo no estômago e não desejava o desjejum. Às 9, evacuação diarreica, com dor considerável no epigástrio e dor cortante no reto; às 9.30, 4 grãos; borborigmos intestinais. Dia 4.—Nenhum sintoma desde a última dose. Às 9 a.m., 6 grãos; em 15 min., dores na região da vesícula biliar; em 20 min., retornou o peso na cabeça. Às 10.45, os sintomas cefálicos pioraram; grande salivação, com peculiar sensação picante na ponta da língua, como se tivesse sido escaldada; eructações provenientes do estômago, com gosto de bile. Dia 5.—Noite inquieta; acordou à meia-noite com dor intensa no lobo dir. do fígado e também no lado esq. (8ª costela), tão intensa que não conseguia dormir; a coluna parece contusa em toda a sua extensão. Às 3 p.m., [verbo ou sintoma ausente] no lado esq. e na região lombar, bem como no fígado; tomou 14 grãos. Teve dor intermitente durante todo o dia. [Trecho sintaticamente corrompido:] tomando a última dose; tomou 7 grãos, causando dor no lado esq. da cabeça. Às 10, cefaleia intensa desde isso; ocasionalmente sentiria dores no lado esq. e no fígado. Por vários dias depois [continuação ausente ou deslocada no original]. Soc., iv, 575.) (Publ. of Mass. Hom. Med. 6. O Dr. A. M. CUSHING experimentou, em novembro e dezembro de 1867, as três primeiras triturações decimais e as diluições 4x, 5x e 6x de dioscoreína (a "preparação concentrada" da planta). Durante janeiro e fevereiro de 1868, e novamente em agosto e setembro, experimentou a tintura e as atenuações da própria D. Produziu-se um longo catálogo de sintomas, cujo registro ocupa cerca de trinta páginas impressas em caracteres compactos. Consistiam, a princípio, em dores sem caráter especial, sentidas em diferentes momentos em quase todas as partes do corpo, sem qualquer alteração persistente ou digna de nota na saúde geral. Eram aliviadas pelo movimento (especialmente na fase inicial da experimentação), exceto a cefaleia. Havia muita distensão e, por vezes, copiosa emissão de flatos. Perto do final da experimentação, houve acentuada diminuição das forças e do ânimo; a função sexual esteve deprimida desde o início. (On Dioscorea Villosa, 1869.)

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