DIGITOXINUM.
By Timothy F. Allen — Enciclopédia da Matéria Médica Pura
Um princípio ativo da Digitalis (veja a nota em
Digitalinum).
Fórmula, C21H82O7.
Preparação, Triturações.
Autoridade.
Patogenesia do Dr. Kopfe com uma dose de 2 miligramas às 10 da manhã, Archiv f. Exp. Path. und Pharm., 3, 275.
Após uma hora, causou sensação de desfalecimento, enjoo, mal-estar e leve vertigem. O pulso permaneceu como de costume, de 80 a 84, e regular. Não obstante as sensações desagradáveis, continuei com meu trabalho no laboratório até a uma hora, após o que saí para caminhar em vez de ir jantar, pois tinha repugnância a toda espécie de alimento. A sensação nauseosa aumentou pouco a pouco a tal ponto que fui forçado a esforçar-me para chegar em casa, a fim de evitar vomitar na rua; contudo, eu não estava em condições de andar rápida e firmemente, pois uma nítida sensação de debilidade e perda de forças aumentou rapidamente e obrigou-me a tomar uma carruagem para chegar à minha residência, que ficava a alguma distância. Tendo chegado em casa, fui logo em seguida para a cama. Meu pulso nessa ocasião (duas horas) era 58, e apresentava uma intermissão uma vez após 30 a 50 batimentos; de resto, era regular. Após uma hora passada na cama, com mal-estar em aumento contínuo, o enjoo torturante atingiu o auge, e às três e meia vomitei grande quantidade de massas de muco de cor verde-escura. Logo em seguida, senti alívio nítido, que, contudo, durou apenas um quarto de hora e deu lugar à mais excessiva sensação nauseosa. Esta continuou a aumentar até que, uma hora depois, a êmese se repetiu violentamente, com evacuação de massas de muco de cor biliar, acompanhada, precedida e seguida de ânsias de vômito. O pulso nessa ocasião era muito intermitente e de apenas 40 por minuto; ocorria uma intermissão após cada dois batimentos ou, raramente, três. Por volta das cinco e quinze houve vários acessos muito violentos de vômito, com muitas ânsias de vômito angustiantes, grande palidez e fácies colapsada. Às seis horas aproximadamente, o pulso mostrou o seguinte traçado (Nº 2), com frequência de 40 a 42 por minuto. Esse traçado contrasta nitidamente com o normal; quanto a este último (Fig. 1), que mostra o pulso tricrótico usual, chama-se a atenção para o fato de que a segunda elevação é extraordinariamente grande e excede em mais do que o dobro a altura da primeira. A curva da Digitoxina mostra uma intermissão após cada dois batimentos. Cada segunda elevação de um par é visivelmente menor que a primeira e faz transição gradativa para a intermissão subsequente. O pulso continuou com a mesma frequência e com o mesmo caráter noite adentro. Eu sentia o batimento no tórax, de modo que podia contá-lo prontamente. Cada intermissão era reconhecida pela sensação de opressão e angústia no tórax que ela causava. Com esses sintomas, a prostração e a perda de forças haviam progredido tanto ao anoitecer que eu não conseguia deixar a cama sem o apoio de outra pessoa. Ao tentar andar ou ficar em pé, meus membros recusavam-se a servir. Apesar do maior esforço de vontade, os joelhos cediam e eu era obrigado a agarrar-me à parede e aos móveis para me sustentar. Com esses sintomas, desenvolveu-se acentuada debilidade da visão, de modo que os traços faciais de meus amigos pareciam flutuar e tornar-se indistintos, e eu só podia reconhecê-los pela voz. Todos os objetos no quarto pareciam confundir-se uns com os outros, sem qualquer contorno, de modo que eu só conseguia distinguir, no campo visual, algumas imagens muito escuras, ou brilhantes, ou grandes, ou pequenas. Além disso, todos os objetos, especialmente os brilhantes, pareciam sob uma luz levemente amarela. Acima de tudo, o enjoo constante e excessivo tornava meu estado extremamente penoso. Por volta das oito horas da noite, tentei tomar um copo de champanhe resfriado no gelo, por causa do enjoo, mas, após alguns minutos, durante os quais o enjoo aumentou rapidamente, vomitei grande quantidade de uma substância aguada, viscosa, levemente tingida de bile, seguida de muitas ânsias de vômito. Ao repetir a tentativa meia hora depois, fui obrigado a pôr o vinho de lado, por causa das grandes ânsias de vômito que ele provocava. Esse estado penoso continuou toda a noite com igual intensidade e não me permitiu um só momento de repouso. Pela manhã, tinham ocorrido quatro acessos de vômito: por volta das onze, da uma, das cinco e das oito, associados a esforços persistentes para vomitar e à evacuação de muco tingido de bile. Logo após um acesso de vômito, havia sempre alívio relativo por curto tempo. O mesmo estado continuou durante todo o dia seguinte com igual intensidade; apenas a êmese efetiva não ocorria, embora a sensação nauseosa não me deixasse por um só momento, e houvesse frequentes acessos de ânsias de vômito infrutíferas. As águas gaseificadas de toda espécie e a água de beber comum, das quais eu esperava alívio desse sintoma penoso, tinham efeito oposto; sempre o agravavam por algum tempo. Nos demais aspectos, como eu disse, os sintomas permaneceram os mesmos. O pulso, de cujos batimentos eu ainda conseguia sentir e contar cada um no tórax, e de cuja intermissão eu tinha consciência, pela sensação de mal-estar e por uma espécie de leve angústia precordial que ela causava, era muito facilmente excitado pela menor excitação ou esforço físico. Durante completo repouso físico e mental, o pulso era 54 por minuto, e apresentava intermissão a cada poucos batimentos. A curva do pulso desse dia (Fig. 3) mostrava, à primeira vista, grande irregularidade em todos os pormenores, não só na força das diferentes contrações, como se evidencia pelas alturas variáveis das ondas, mas também no caráter mais ou menos duro do pulso, mostrado pelas ondas mais ou menos rombas, e, por fim, também na onda irregular que se segue ao batimento, o que se vê no tamanho variável dos intervalos entre os batimentos. A segunda noite foi muito agitada, com sono apenas parcial, interrompido quatro vezes em uma hora por sonhos ansiosos e confusos e fantasias medonhas. No terceiro dia, que ainda passei na cama, o estado foi muito mais tolerável do que o precedente, pois o enjoo penoso havia moderado e eu pude beber um pouco de água. A debilidade da visão, porém, ainda continuava; e a visão amarela não havia diminuído em nada. O pulso continuou durante todo o dia em cerca de 60, ainda muito irregular, e apresentava intermissão a cada 40 a 50 batimentos. À noite, tentei, embora contra meu apetite, comer alguns pedaços de pão, e não vomitei, como receava. A noite seguinte foi semelhante à precedente, embora mais tranquila e com sono mais longo e mais profundo. Passei parte do quarto dia fora da cama. Subjetivamente, senti muito alívio. Embora eu não tivesse desejo de alimento, comer não me era repugnante, e de tempos em tempos eu tomava pequena quantidade de carne e bebia tanta água quanto queria. O pulso havia recuperado o ritmo, era fraco e mole, e muito raramente intermitia. Após um sono profundo naquela noite, comecei, no quinto dia, a dar pequenos passeios, apoiando-me no braço de outra pessoa. Minha capacidade visual ainda não havia retornado, e todos os objetos pareciam sob uma luz amarela. Os sintomas desapareceram pouco a pouco durante os três dias subsequentes. Com sono profundo e apetite extraordinário, voltaram minhas forças físicas e a visão normal, e os objetos tornaram a aparecer sob sua luz natural.