Urinum.
By John Henry Clarke — Dicionário de Matéria Médica Prática
Urina. Diluições.
Clínica
Acne / Furúnculos / Hidropisia / Oftalmia / Escorbuto
Características
Sob Urea, Allen fornece alguns sintomas observados em um homem que, por uma afecção cutânea, bebeu pela manhã a urina que havia eliminado na noite anterior. Os sintomas foram graves, consistindo em hidropisia generalizada, urina escassa e fraqueza excessiva. Organizei estes sintomas sob Urinum. A urinoterapia é praticamente tão antiga quanto o próprio homem. Os chineses (Therapist, x. 329) tratam feridas aspergindo-as com urina, e o costume é amplamente difundido no Extremo Oriente. Tomada internamente, acredita-se que estimule a circulação; e é valorizada como um oxitócico ativo. A parturiente bebe a urina de uma criança do sexo masculino de quatro a cinco anos, e a porção eliminada no meio da micção. A criança urina em três recipientes, bebendo a mulher o conteúdo do segundo. No Brit. Med. Jour. de 1900 foi dado certo número de exemplos de urinoterapia ocidental (coligidos em H. W., xxxv. 507). A estes Cooper acrescentou alguns outros (ibid., p. 584). Os casos são estes: (1) A um jovem com surtos de furúnculos que nada conseguia curar recomendou-se beber, todas as manhãs durante três manhãs, uma chávena cheia da sua própria urina. Depois, após um intervalo de três dias, retomar, e assim por diante até ficar curado. Ficou curado no nono dia. (2) "Cravos" curados exatamente do mesmo modo. Este paciente bebeu-a fresca. (3) Bronquite crónica muito aliviada. Este paciente era surdo e entendeu mal a orientação do médico para bring um pouco da sua urina. Pensou que a palavra fosse drink e agiu em conformidade. (4) Febre intermitente (nos pântanos de Lincolnshire). (5) Urticária. (6) Para o sapinho, é costume em Yorkshire limpar a língua do bebé com a sua própria fralda. (7) Para espinhas e manchas, os negros de Barbados bebem a sua urina e aplicam-na localmente. (8) Para oftalmia nas crianças, é costume na Suíça lavar os olhos com a urina das próprias crianças. Cooper menciona o caso de um homem que padecia muito de olhos fracos e inflamados até adotar este método, que com o tempo o curou. Cooper menciona também que um célebre criador de gado e cavalos conseguiu pôr a pele dos seus animais numa condição de espantosa finura, dando-lhes cerca de uma colher de sopa de urina humana velha com cada refeição. Kraft (A. H., xxvii. 4) menciona que a urina tem sido usada como remédio para o crupe. S. Mills Fowler (M. A., xx. 281) menciona o uso da urina como remédio para o escorbuto na Guerra Civil. Na prisão de Andersonville, os prisioneiros famintos morriam às centenas, de escorbuto, e o Sr. T. (que contou a história) era um dos acometidos. As pernas estavam fletidas sobre as coxas, e as coxas sobre o corpo, em contratura tão violenta que era impossível estendê-las uma polegada, e qualquer tentativa de o fazer era acompanhada de choques de dor como os de uma bateria elétrica. Só conseguia mover-se apoiando-se nos cotovelos e nas nádegas. Dentro da paliçada cresciam duas grandes árvores de terebintina. Da resina dessas árvores, os pacientes tomavam o bastante para tornar a urina "clara e branca como cristal". A urina eliminada era deixada em repouso até começar a azedar, o que levava de doze a vinte e quatro horas. Os pacientes tomavam então um "bom gole" quatro ou cinco vezes por dia. Sentiam o efeito benéfico de cada dose. O tratamento curou o Sr. T. e todos os seus companheiros de infortúnio que o adotaram. Estas curas são, até certo ponto, análogas às curas por nosódios, pois os pacientes bebiam a sua própria urina; mas Urinum, Urea, ácido úrico são também medicamentos por direito próprio, e figuram entre os Sarcodes. Os sintomas da uremia podem ser tomados como uma patogenesia de Urinum para o emprego das atenuações. Urea curou a hidropisia renal, e Urinum produziu-a. A ação cutânea de Urinum é marcante em conexão com o seu uso no curtimento do couro; não se encontrou substituto para ela nesse uso.
Relações
Comparar com: Urea (provavelmente a urina deve o seu principal efeito à ureia), Ur. ac., Urt. urens.
2. Cabeça
Sensação de peso na cabeça, < ao curvar-se.
6. Rosto
Rosto muito inchado. Fisionomia pálida, expressão pesada e vaga.
11. Estômago
Pouca sede.
12. Abdómen
Líquido no abdómen e nas paredes do tórax e do ventre.
14. Órgãos urinários
Urina escassa, espessa, castanho-escura e muito fétida.
24. Generalidades
Anasarca; em geral, mais acentuada nas partes superiores do que nas inferiores do corpo. Sensação de peso; pesado para o trabalho, sem a sua vitalidade nem o seu calor habituais. Perde o fôlego se anda depressa, sendo forçada a parar.