LINUM USITATISSIMUM.
By Timothy F. Allen — Enciclopédia da Matéria Médica Pura
Autoridade.
L. P. Lorut, Gaz. des Hôp., set. de 1861, efeitos de duas colheradas de óleo de linhaça.
A Srta. X., de dezenove anos de idade, de temperamento nervoso-sanguíneo, sempre gozara de excelente saúde.
No dia 21 de janeiro, por volta das 11 horas da noite, fui chamado com grande urgência e encontrei-a sofrendo de peculiares sintomas nervosos, para os quais eu não conseguia explicar a causa. Jazia de costas; o rosto vermelho e levemente úmido; a cabeça sacudindo-se espasmodicamente em compasso regular; os músculos temporais rígidos e proeminentes contraindo-se rapidamente em abalos. Os maxilares estavam cerrados de modo imóvel; as extremidades superiores sacudidas por espasmos, porém flexíveis e sem contratura. Apesar de toda essa perturbação nervosa, não havia sinal de desordem cerebral; a paciente estava completamente consciente e queixava-se por sinais de dor muito intensa nas faces e nas têmporas. Não podia articular uma sílaba. Nunca antes, assegurou-me sua mãe, padecera de perturbações nervosas. Estivera muito animada durante todo aquele dia e, à noite, trabalhara num pequeno aposento bem aquecido por um braseiro de carvão. Por volta das 8 horas, depois de tomar uma xícara de leite frio, adormeceu, mas despertou poucos minutos depois, dizendo que a língua lhe era puxada para baixo, para dentro da garganta, e queixando-se também de grande peso no estômago e de cólica intensa.
Foi para a cama, mas logo perdeu a fala e caiu em convulsões.
Desde logo rejeitei a ideia, aparentemente sustentada por sua mãe, de que ela tivesse sido envenenada por gás de monóxido de carbono, pois seus sintomas guardavam apenas leve semelhança com os produzidos por esse agente. A lucidez do intelecto, a ausência de espuma na boca e os traços faciais não distorcidos, afastando a epilepsia, levaram-me a pensar que o ataque devia ser histérico. Todavia, os sintomas não pareciam revestir-se do aspecto preciso da histeria, e algumas das características predominantes nessa afecção estavam ausentes. Havia aqui trismo violento e paralisia completa da língua, afecções de ocorrência rara em pacientes histéricos, embora eu soubesse que a primeira já fora observada em alguns casos bem autenticados. Além disso, não havia nem globus hystericus, nem meteorismo do estômago ou dos intestinos, nem qualquer daquelas perversões da sensibilidade cutânea que com tanta frequência acompanham a moléstia em questão. Não obstante, decidi empregar antiespasmódicos; e, como a paciente estava totalmente incapaz de deglutir, ordenei de imediato a administração de uma injeção de 4 gramas de Asafœtida. Ao mesmo tempo, friccionei as têmporas com um forte linimento opiado, e um grande cataplasma de linhaça foi aplicado ao abdome. Dez minutos após a injeção, seguiu-se alívio manifesto; a paciente começou a soluçar veementemente; e, poucos minutos depois, eliminou grande quantidade de urina pálida e límpida; após o que se deitou novamente, muito tranquilizada. Logo consegui forçar a abertura dos maxilares com o cabo de um garfo, quando me surpreendi ao ver que a extremidade da língua estava voltada para cima e para trás, de modo a tocar o velum palati. Ao tentar falar, a paciente emitia apenas sons inarticulados. Consegui então fazê-la engolir algumas colheradas de água de flor de laranjeira açucarada. Isso foi muito reconfortante; e seus maxilares agora podiam abrir-se espontaneamente. Então a deixei, recomendando vesicatórios nas coxas para a dor de cabeça muito intensa de que se queixava. Ao visitá-la na manhã seguinte, fui informado de que, pouco depois de minha saída, os sintomas haviam voltado com grande intensidade, especialmente o trismo, e de que ela padecera das dores mais intensas durante cerca de uma hora. Por volta das 5 horas da tarde, tudo estava novamente bem, e a paciente havia recuperado a fala. Dos sintomas da noite anterior, restavam então apenas prostração geral, com sensação de machucado nas articulações dos cotovelos e dos joelhos, dor de cabeça frontal gravativa e dor surda nas faces e nas têmporas. A paciente então me deu o seguinte relato sobre a origem de seus padecimentos. Na noite precedente, desejando beber leite, entrou, sem luz, num aposento contíguo e apanhou uma xícara que sabia estar meio cheia de leite. A isso acrescentou duas colheradas de outra xícara próxima, que ela supunha também conter leite. Ao beber, sentiu descer algo azedo e gorduroso, que não estava misturado com o restante da bebida; contudo, sem suspeitar de nada de errado, engoliu todo o conteúdo da xícara. Quase imediatamente sentiu sensação de plenitude no estômago e mal-estar precordial, e logo foi para a cama, onde foi acometida por espasmos. Ela não teve ideia da causa de seus sintomas até pouco antes de minha segunda visita, o que explica ter respondido negativamente quando lhe pedi que me indicasse por sinais se havia tomado algo nocivo.
Prescrevi que bebesse leite em abundância; que se mantivessem os cataplasmas de linhaça; e injeções de uma decocção de ferro. No dia seguinte, estava completamente bem. Disse-me que, na véspera à noite, havia vomitado, com evacuações abundantes; e pensava que seu estômago havia expelido o óleo. Desde então, sua saúde não tem sido perfeita.